Influenciadores da Noruega terão que avisar se modificaram digitalmente seu corpo nas fotos de ‘publis’

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RIO — Para postar uma foto publicitária nas redes sociais, a famosa "publi", os influenciadores da Noruega terão que avisar se modificaram com edição ou filtros seu corpo ou sua pele. A medida entra em vigor por meio de uma emenda à Lei de Marketing norueguesa para atuar, segundo o governo local, na “insegurança social, baixa autoestima e pressão corporal”.

Segundo a legislação, será preciso marcar se houve alguma alteração na forma e tamanho do corpo, além de mudanças na pele, feitas depois de um retoque ou manipulação digital. A decisão, sancionada no dia 11 de junho, mira anúncios publicitários de marcas ou de publicações pagas de influenciadores digitais nas redes sociais.

A regulamentação foi criada a partir do Ministério da Criança e da Família da Noruega e prevê que uma multa seja determinada caso a medida seja violada de forma intencional, significativa ou se isso ocorrer repetidamente. O objetivo é atuar sobre a “insegurança social, má consciência, baixa autoestima ou contribuições para a pressão corporal”, com ênfase em “como as mulheres são retratadas”.

Segundo o resumo do Decreto Legislativo 146 (2020-2021), as emendas aprovadas da Lei de Marketing da Noruega “visam a ajudar a reduzir a pressão corporal na sociedade devido às pessoas idealizadas na publicidade. Entre outras coisas, é introduzido o dever de marcar publicidade retocada ou manipulada de outra forma, quando isso significar que o corpo da pessoa na publicidade se desvia da realidade em termos de forma corporal, tamanho e pele”.

Em entrevista à BBC, a influenciadora norueguesa Madeleine Pedersen, de 26 anos, disse esperar que as novas regras impeçam que os jovens se comparem a imagens irreais. Para ela, as mudanças vão fazer com que os influencers do país tenham “vergonha de admitir” a edição e, por isso, a frequência vai diminuir:

— Há muitas pessoas que se sentem inseguras com seu corpo ou rosto. Já lutei com problemas corporais devido ao Instagram no passado. A pior parte é que nem sei se as outras garotas que admiro editaram suas fotos ou não. Então, todos nós precisamos de respostas, precisamos de uma lei como essa.

Já Eirin Kristiansen, de 26 anos, entende que a nova lei ajuda, mas não resolve o problema da insegurança entre os jovens. Ela também atua como influenciadora na Noruega.

— Para mim, parece mais um atalho para consertar um problema que não vai melhorar. Os problemas de saúde mental são causados por muito mais do que uma foto editada, e outra etiqueta nas fotos dos anunciantes não mudará a forma como as meninas e os meninos realmente se sentem, na minha opinião — afirmou, em entrevista à BBC.

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