Influenza: média móvel de atendimentos diários por síndrome gripal nas UPAs estaduais do RJ cai 40% em duas semanas

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A média móvel de atendimentos diários por casos de síndrome gripal nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) estaduais do Rio de Janeiro teve uma queda de 40,16% em relação a 14 dias atrás, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES).

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O indicador caiu do patamar de 5.028 atendimentos em média entre 6 e 12 de dezembro para 3.008 atendimentos na semana de 13 a 19 de dezembro. Segundo a SES, a redução foi maior entre as crianças, cuja média de atendimentos diários caiu de 981 para 564 no mesmo período — menos 42,4%. Entre adultos, o indicador foi de 4.046 para 2.443, uma queda de 39,6%.

A pasta diz ainda que os números de casos nas UPAs da capital começaram a diminuir. Em contrapartida, a transmissão se deslocou, como observou a SES, para municípios de outras regiões do estado, como São Pedro d’Aldeia, cuja UPA apresenta tendência de aumento de atendimento na média móvel.

Na cidade do Rio, que enfrenta uma epidemia de influenza, a redução do número de consultas associadas à doença já tinha sido apontada pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, na semana passada. Como a capital concentra grande parte da população do Rio, a redução de casos no município ajuda a derrubar os indicadores de todo o estado.

Entre as semanas epidemiológicas 48 (28 de novembro a 4 de dezembro) e 49 (5 a 11 de dezembro), de acordo com o painel Covid-19 da prefeitura, houve uma queda de 76% na quantidade de casos de síndrome gripal notificados na cidade do Rio — indicador que também engloba casos de Covid-19, confirmados ou não. O número pode ser revisto futuramente devido à demora no registro de casos.

Segundo a epidemiologista Gulnar Azevedo, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a redução dos últimos dias se deve ao fato de que a influenza, diferentemente da Covid-19, costuma ter uma onda bem definida e, portanto, um prazo mais ou menos previsível para arrefecer.

— A influenza costuma ter uma onda previsível e curta quando comparada à da Covid-19. Mas é importante reforçar o uso de máscaras, e de boa qualidade, porque elas previnem ambas as doenças — diz a especialista.

A Secretaria estadual de Saúde considera que existe uma epidemia de influenza na Região Metropolitana. No entanto, a doença já deu indícios de ter provocado sobrecarga nas redes de saúde de municípios de outras regiões.

É o caso não só de São Pedro D’Aldeia, mas também de Petrópolis. Esta semana, o deputado federal Hugo Leal (PSD) e a vereadora petropolitana Gilda Beatriz (PSD) enviaram ao secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, ofícios em que pedem a instalação de tendas de atendimento junto às UPAs da cidade, como foi feito na capital.

“A elevada taxa de transmissibilidade, aliada aos sintomas que este vírus da Influenza vem apresentando nas pessoas tem gerado um aumento muito expressivo na busca da população por atendimento nas Unidades de Saúde disponíveis no Município de Petrópolis”, diz o documento. O secretário ainda não tinha dado resposta até a tarde desta quarta-feira.

Para o epidemiologista Guilherme Werneck, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro do comitê científico estadual, a epidemia existe não apenas na Região Metropolitana, mas em todo o estado.

— Quando você declara epidemia, você alerta as pessoas, você cria condições legais e administrativas para alocar recursos em determinadas ações. Em cadeia, você consegue se preparar melhor para o aumento de demanda — pontua Werneck.

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