Infodemia: 2021 foi marcado pela desinformação

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  • Retrospectiva do Yahoo! mostra os temas que foram alvo de informações falsas em 2021;

  • Postura negacionista do governo Bolsonaro contribuiu para o cenário de desinformação contra a Covid-19;

  • Coronavírus, atos antidemocráticos, STF e gasolina foram os temas mais recorrentes.

Infodemia foi o termo utilizado pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, manifestando preocupação com a epidemia causada pelo excesso de informações — e muitas vezes por notícias falsas — durante a pandemia de Covid-19.

Esse cenário torna-se propício para o surgimento de teorias conspiratórias e interpretações equivocadas de dados e pesquisas científicas. No Brasil, além de enfrentarmos o coronavírus, lidamos com problemas estruturais de um governo negacionista.

A gestão de Jair Bolsonaro (PL) adotou a desinformação como política de governo, incentivando e distribuindo para a população remédio comprovadamente ineficaz contra o novo coronavírus. Temas como este foram verificados pelo Yahoo! Notícias em 2021.

Covid-19

A vacinação contra a Covid-19 começou este ano no Brasil e ficou explícita a ingerência do governo Bolsonaro. A Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, também conhecida como CPI da Covid-19, teve como objetivo apurar as omissões do Ministério da Saúde e do governo nas medidas de enfrentamento à pandemia.

Checamos: Bolsonaro mente sobre atraso nas compras de vacinas contra a Covid-19
Governo rejeitou ofertas das farmacêuticas e omissão da gestão foi apurada na CPI da Pandemia (Foto: YouTube/Reprodução)
Checamos: Bolsonaro mente sobre atraso nas compras de vacinas contra a Covid-19. Governo rejeitou ofertas das farmacêuticas e omissão da gestão foi apurada na CPI da Pandemia (Foto: YouTube/Reprodução)

Atos antidemocráticos

A reportagem do Yahoo! Notícias monitorou os conteúdos compartilhados nas redes sociais relacionados aos atos de cunho golpista convocados por Bolsonaro no feriado de 7 de setembro deste ano:

Vídeo de 2020 não tem ligação com os atos de 7 de setembro (Twitter/Reprodução)
Vídeo de 2020 não tem ligação com os atos de 7 de setembro (Twitter/Reprodução)

STF X Bolsonaro

Em meio aos ataques de Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF), informações falsas sobre a Corte e seus ministros circularam nas redes sociais:

Ao contrário do que a peça de desinformação sugere, Alexandre de Moraes não é relator de nenhum processo no STF que tem o senador Renan Calheiros como réu (Foto: Twitter/Reprodução)
Ao contrário do que a peça de desinformação sugere, Alexandre de Moraes não é relator de nenhum processo no STF que tem o senador Renan Calheiros como réu (Foto: Twitter/Reprodução)

Gasolina

Em 2021, Bolsonaro travou um embate com governadores em torno da taxação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) — que compõe o preço final do combustível repassado aos consumidores — e atribuiu aos estados a alta no preço da gasolina. O tema foi alvo de peças de desinformação:

Bolsonaro mentiu ao afirmar que Petrobrás é obrigada por lei a aumentar o preço da gasolina (Foto: Facebook/Reprodução)
Bolsonaro mentiu ao afirmar que Petrobrás é obrigada por lei a aumentar o preço da gasolina (Foto: Facebook/Reprodução)

O relatório da Comissão sobre a Desordem da Informação do Aspen Institute, divulgado em novembro de 2021, traz uma reflexão sobre este cenário: “para combater a má informação, o que precisamos é de mais (e melhor distribuída) boa informação. Na realidade, apenas elevar o conteúdo confiável não é o suficiente para mudar o curso corrente. Existe um sistema de incentivos que manufatura a desordem informacional, e não vamos encarar o problema se não enfrentarmos esse sistema, nem vamos melhorar se falhamos em nos referir aos problemas sociais maiores que continuam a nos dividir”.

O papel das redes sociais

A discussão sobre a responsabilidade das redes sociais na disseminação de notícias falsas ganhou destaque a partir da ascensão de populistas da extrema-direita, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, que utilizam essas plataformas para inflamar os seus apoiadores, firmar posicionamento e atacar os seus desafetos.

Durante a pandemia de Covid-19 observamos a utilização dessas ferramentas para disseminar notícias falsas e teorias conspiratórias. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro recomendou por diversas vezes em suas redes sociais o uso de medicamentos sem eficácia científica para o “tratamento precoce” da doença.

Em uma última tentativa de contestação do resultado do pleito eleitoral, Donald Trump convocou os seus apoiadores a protestarem em frente ao Congresso dos Estados Unidos contra o resultado das eleições de 2020. Jair Bolsonaro segue a mesma cartilha de Trump e faz sucessivos ataques ao sistema eleitoral brasileiro.

A reportagem do Yahoo! Notícias verificou alegações enganosas de Bolsonaro e seus apoiadores sobre as urnas eletrônicas - meio pelo qual ele foi eleito presidente em 2018. Não há comprovação de fraude em quaisquer eleições brasileiras desde que o sistema de votação eletrônico foi implementado no Brasil em 1996. O sistema eleitoral brasileiro já é auditável, como reforça o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A integridade, segurança e auditabilidade das urnas é assegurada em cada pleito eleitoral, como explicado pelo Yahoo! Notícias.

Se nas eleições de 2018 o WhatsApp foi apontado como um dos grandes responsáveis pelo compartilhamento de informações falsas, na corrida presidencial do próximo ano o Telegram, reduto da extrema direita que não possui representação no Brasil tem sido usado para fins políticos por aqui e aponta como um dos protagonistas no debate sobre essas plataformas.

Já foi demonstrado inúmeras vezes que a falta de um código de conduta e diretrizes para essas aplicativos é um terreno propício para a circulação de informações falsas.

As mídias sociais mudaram a natureza da interação social e a visibilidade como forma de controle e poder agora fazem parte da sociedade. O fomento à polarização política tendo essas plataformas como intermediadoras nos faz refletir: seriam as redes sociais diretamente responsáveis pelo conteúdo que seus usuários publicam e, dessa forma, concessionárias de interesses públicos?

A escalada das tensões, alimentadas por um cenário de polarização política e potencializada pelas redes sociais, tende a ter nas eleições presidenciais de 2022 o palco para a catarse desses sentimentos.

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