Informações do celular perdido de Torres foram entregues à PF, diz advogado

Representante do político afirma que seu cliente irá fornecer todas as senhas necessárias

Em depoimento, Torres disse que perdeu o celular ao voltar dos EUA para o Brasil (REUTERS/Adriano Machado)
Em depoimento, Torres disse que perdeu o celular ao voltar dos EUA para o Brasil

(REUTERS/Adriano Machado)

As informações do celular de Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (DF) que se encontra preso, já foram disponibilizadas à Polícia Federal (PF). É o que informou o advogado do político, Rodrigo Roca, à CNN.

“As informações dele [celular] foram franqueadas hoje mesmo à Justiça, à Polícia. O que está na nuvem ele disse que vai fornecer as senhas, tudo o que for necessário. Franqueou seus sigilos bancário, fiscal, telefônico, telemático… disse que, se necessário, entrega o seu passaporte”, destacou Roca.

Torres prestou depoimento à PF nesta quinta-feira (2) e explicou que não sabia onde estava o aparelho. Segundo o advogado, tal era o “clima de desespero” do também ex-ministro da Justiça ao se deslocar dos Estados Unidos para o Brasil que o celular foi desligado e acabou perdido.

O ex-secretário teve prisão decretada em 10 de janeiro, por suspeita de omissão diante dos atos golpistas de 8 de janeiro. No dia 14, ele desembarcou o Brasil e foi preso. O telefone seria apreendido e periciado se estivesse com Torres.

“Não houve quebra de silêncio, pois ele nunca ficou em silêncio. O que aconteceu da vez passada é que a defesa não tinha tido acesso a nada dos autos. Agora, temos acesso a boa parte. Mas, por exemplo, a representação policial que deu início a isso tudo, nós desconhecemos”, disse.

Depoimento. Torres passou cerca de 10 horas prestando depoimento à PF. Dentre outros pontos, ele disse que:

  • Recebeu a minuta golpista em seu gabinete no Ministério da Justiça;

  • Devido à “sobrecarga de trabalho”, levava todos os documentos da pasta para casa;

  • Os importantes retornavam ao ministério e os demais eram descartados;

  • A minuta é “totalmente descartável”, mas que não foi ele quem a colocou dentro de uma pasta na estante – podendo ser uma funcionária ao arrumar a casa;

  • Se o plano deixado pela secretaria tivesse sido seguido, os atos de 8 de janeiro não teriam acontecido;

  • Não tem conhecimento do plano de golpe criado por Bolsonaro e Daniel Silveira.