Inglês dispensa avião por causa de aquecimento global e vai à China de trem

Avião comercial de grande porte deixa trilha de fumaça após decolar

SÃO PAULO - Por não querer contribuir com as emissões de gases do efeito estufa liberados pelo combustível de avião, o sociólogo inglês Roger Tyers, de 37 anos, viajou até a China de trem.

O pesquisador de Southampton, que foi para Ningbo para realizar um trabalho acadêmico, relatou à rede de TV CNN que sua jornada demorou um mês e custou mais de US$ 2.500, mais que o triplo do que ele teria gasto em um voo comercial.

Segundo Tyers, sua decisão de evitar emissões de CO2 a qualquer custo foi tomada após cientistas anunciarem que o planeta está próximo de esgotar sua cota de CO2 no ar. Caso as emissões de gases-estufa continuem no ritmo atual, em 11 anos a atmosfera já terá mais CO2 do que o máximo tolerado para que a temperatura global tenha um achance razoável de subir menos de 2°C, limite considerado perigoso.

O sociólogo inglês está longe, porém, de ser o único a dispensar veículos emissores de carbono em viagens longas. No mês passado, a ativista adolescente sueca Greta Thunberg foi de barco dos EUA à Espanha para reduzir suas emissões.

A aviação comercial, apesar ter uma fatia de apenas 2% das emissões globais, tende a aumentar sua cota, e é uma das atividades com pegada ambiental mais forte, por requerer queima de combustível a uma taxa muito intensa.

O problema motivou a criação de uma campanha internacional, a Flight Free, que tem como meta inicial recrutar 100 mil voluntários que aceitem ficar um ano sem andar de avião.

"Minuto a minuto, milha por milha, nada que fazemos causa mal maior e mais facilmente evitável do que voar de avião", afirma Richard Slimbach, professor de estudos globais da Azusa Pacific University, de Los Angeles, um dos entusiastas da campanha.

Como reação a esse tipo de conscientização, algumas companhias aéreas, incluindo as britânicas Easyjet e British Airways, anunciaram medidas para tentar compensar suas emissões.