Inglaterra precisa se reconfinar na 'corrida' contra o vírus, diz Johnson

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Mulher de máscara passa junto a um cartaz sobre as restrições por covid-19 em Londres (Reino Unido), em 23 de dezembro de 2020

O Reino Unido, que nesta quarta-feira (6) registrou mais de mil mortes por covid-19, precisa de um terceiro confinamento para impulsionar a "corrida" de vacinação contra o coronavírus, defendeu o primeiro-ministro Boris Johnson no Parlamento, que deve aprovar retroativamente esta medida.

Enfrentando outra onda incontrolável desde a descoberta em dezembro de uma nova cepa aparentemente mais transmissível, o país registrou 1.041 mortes nas últimas 24 horas, igualando os níveis do pico de abril.

Com 77.346 mortos, o Reino Unido é um dos países da Europa mais castigados pela pandemia e, nesta quarta-feira, registrou 62.322 novos casos positivos. Neste contexto, acelerar a vacinação em massa parece ser a única esperança.

"Estamos em uma corrida para vacinar as pessoas vulneráveis mais rápido que o vírus pode alcançá-las", afirmou Johnson, cuja decisão, anunciada repentinamente na segunda-feira à noite, começou a ser aplicada já no dia seguinte.

"Mas se vamos vencer esta corrida (...), temos que dar ao nosso exército de vacinadores a maior vantagem possível" e "para isso devemos mais uma vez ficar em casa", acrescentou.

Os 56 milhões de habitantes da Inglaterra entraram, na terça-feira, em seu terceiro confinamento nacional, após os da primavera e do mês de novembro. Esse novo confinamento permanecerá legalmente em vigor até 31 de março, segundo a legislação apresentada nesta quarta à Câmara dos Comuns.

A Escócia também iniciou na terça-feira um novo confinamento total durante todo janeiro, enquanto Gales e Irlanda do Norte, que já estavam confinadas parcialmente, fecharam suas escolas.

- Objetivo: 14 milhões em um mês e meio -

Apesar da hostilidade de alguns deputados do campo conservador de Johnson, a medida para a Inglaterra será provavelmente aprovada por uma ampla maioria graças ao apoio da oposição trabalhista. 

Seu líder, Keir Starmer, que exigia há dias um novo confinamento, voltou a criticar a lentidão e a inconstância do governo na gestão da pandemia.

Pioneiro dos países ocidentais na campanha de vacinação, iniciada em 8 de dezembro, o Reino Unido já imunizou 1,3 milhão de pessoas com as vacinas desenvolvidas por Pfizer/BioNTech e AstraZeneca/Oxford.

Além disso, estabeleceu o objetivo de vacinar até meados de fevereiro todos os maiores de 70 anos, assim como os profissionais da saúde, quase 14 milhões de pessoas.

"O calendário de vacinação é realista, mas não é fácil", admitiu em coletiva de imprensa na terça-feira o conselheiro médico do governo, Chris Whitty.

O secretário de Estado encarregado da campanha, Nadhim Zahawi, também considou hoje que é uma meta "muito ambiciosa", mas alcançável, em declarações ao canal Sky News. 

Em reposta às críticas de países como Austrália e Bélgica, onde as campanhas de vacinação demoram mais para decolar, um porta-voz de Johnson reiterou nesta quarta-feira: "não nos precipitamos na autorização das vacinas".

"Os britânicos devem confiar nelas e recebê-las" quando chegar sua vez, afirmou, destacando que as vacinas foram submetidas a testes exaustivos de segurança.

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