‘Tive euforia, angústia, surtei, bebi vinho e agora estou me equilibrando’, diz Ingrid Guimarães

Carol Marques
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Ingrid Guimarães tem ajuda da filha em programa e avalia confinamento: ‘Tive euforia, angústia, surtei, bebi vinho e agora estou me equilibrando’

“A vida é aquilo que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos”. A frase de John Lennon na canção “Beautiful Boy” nunca fez tanto sentido como agora. Ingrid Guimarães, por exemplo, traçou uma planilha de projetos para 2020. Viajaria o primeiro semestre, faria um filme no segundo e o resto passaria ao lado da família. Era para a atriz estar finalizando as gravações de “Além da conta —Tem wifi” em Nova York, após passar pela Coreia do Sul e iniciar pela China. Essa rota não lembra alguma coisa? “Nossa, agora me dei conta que foi justamente a rota da Covid-19! Que loucura...”, constata ela.

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Ingrid não só não viajou como adiou tudo o que iria fazer, cancelou outros trabalhos e se viu com a família 24, 48, 72... Quase 2 mil horas até agora. “Tive todas as fases. Euforia, querendo fazer de tudo um pouco, ver mil séries, ler tudo, cozinhar, malhar. É exaustivo! Depois, passei pelo bode, a angústia, o medo. Surtei com o homeschooling da Clara, bebi vinho vários dias, e agora acho que estou equilibrando as coisas”, descreve a atriz, há quase três meses dentro de casa.

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Muito desse equilíbrio chegou com a continuidade do “Além da conta”, no GNT. Mas desta vez, em casa. “Eu via que minhas amigas, família, todo mundo falava sobre as sensações do isolamento, reclamavam, desabafavam. E comecei a pensar que isso daria uma boa pauta para o programa. E tem sido muito bom, porque sinto que as pessoas, além de terem mais tempo em suas agendas, querem falar, precisam pôr para fora essa mistura de sentimentos que todo mundo está tendo”, justifica.

Encontros virtuais com Claudia Raia, Paulo Gustavo, Babu Santana, Antonio Fagundes e outros artistas foram bastante significativos para Ingrid. “Cada um traz um olhar e uma realidade diferentes sobre algo que é comum a todos, mas não vivido da mesma maneira”, avalia ela, que tem tido colaboração da família para conseguir fazer o programa: “Minha irmã me ajuda com a make e o figurino, meu marido com o cenário, e minha filha, que está dando show na produção”.

O elogio dispensado a Clara não é coisa de corujice. Se não fosse por ela, muito dos conteúdos não parariam na internet. “Ela me ensina um monte de coisas com o celular, e eu não entendo nada disso. Tem lá maneiras de gravar e editar em que ela é fera. Ela baixou um Tiktok pra mim, me ensinou a usar. E é muito bacana ela ter uma atividade diferente no meio de tudo isso”, analisa: “O raciocínio da Clara é rápido, ágil. É um tempo com ela que jamais poderia ter e isso é muito positivo”.

A logística para que o programa aconteça é uma das grandes preocupações de Ingrid. “Não é fácil, não, tá? Fica todo mundo de máscara e bem longe um do outro. Só tiro para gravar. Como é aqui em casa, no almoço rola um delivery, e aí cada um com seu prato e seu talher, num canto. É o tipo de hábito que vamos ter que nos acostumar porque é como vai funcionar no futuro”, prevê.

Casamento com estratégia

Casada há 16 anos com o artista plástico Renê Machado, Ingrid chegou a fazer um vídeo em que dá uma zoada nos solteiros durante a quarentena. “Agora o jogo virou! Estamos dormindo de conchinha e vocês não”, brinca. Ao contrário de muitos casais que estão no limite da razão, Ingrid e Renê encontraram uma forma estratégica de não sucumbirem ao estresse da convivência: “Quando um de nós está de saco cheio, nos trancamos cada um num quarto e ficamos sozinhos. E como estou trabalhando e ele também, está pintando como nunca porque as pessoas estão cansadas de olhar para paredes e querem dar uma mudada no ambiente, a gente tem rotinas diferentes, o que é excelente para manter a saúde da relação”.

Um amanhã diferente

Futuro. Substantivo masculino segundo o dicionário Aurélio e, neste momento, algo muito incerto. “De fato, ninguém sabe o que vai acontecer. E acho que isso também tem o lado bom. Estamos sendo obrigados a viver no presente. O que pra mim sempre foi bem difícil. Porque sou ansiosa. Quando tinha um dia de folga, eu marcava mil coisas para fazer, porque eu não podia ter a sensação de estar perdendo algo. Aí vem um vírus lá do outro lado do mundo e te obriga a esperar. A viver um dia de cada vez e é isso que estou fazendo”, pondera.

Ingrid acredita que, além do aterramento necessário neste momento, as pessoas podem de fato sair melhores do que quando entraram no modo pandemia : “A gente tem que olhar para o outro. Vivemos uma época em que o egoísmo impera. Daí, nos deparamos com uma dor, com o receio de uma doença que atinge a todos, sem distinção. Mas não posso achar que estamos no mesmo barco, porque não estamos. Eu sei que sou uma privilegiada. Moro numa cobertura, com espaço, piscina... Jamais poderia comparar a minha realidade à de alguém que está num cômodo com mais sete pessoas sem saber se vai poder comer no dia seguinte. Então, com esse privilégio, ajudo no que posso, levantando grana para comprar alimento, leito em hospital, como muitos amigos estão fazendo. E é isso. O mundo pede generosidade”.

Prestes a fazer 48 anos em julho, Ingrid ainda não pensou como irá comemorar a data. Logo ela, que ama uma festa, com música boa e muitos amigos. “Talvez consiga ter minhas irmãs comigo, já que estamos fazendo o isolamento direitinho. Abra algumas garrafas de vinho, encomende uma comida que eu goste... O mais importante, no entanto, é ser grata. A quarentena me mostrou o que não quero mais na minha vida. Não vou perder tempo com pessoas que não me acrescentam nada, com coisas bobas, que facilmente podem ser ignoradas. Quero valorizar meu tempo, não perdê-lo”. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz... Foi Lennon que disse isso também.