Iniciativa de preservação ambiental promove mutirão de limpeza nas praias do Rio

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RIO — Neste sábado, 18, acontece a 19ª edição do evento Clean Up The World (CUW), iniciativa de preservação ambiental que promove multirões de coleta de lixo nas praias de diversos países do mundo. O multirão ocorre das 10h às 13h. A ação, que acontece no Brasil desde 2003, coletou no ano passado 5.815 toneladas de resíduos nas areias do estado, uma pequena diminuição em comparação as toneladas em 2019.

Na capital carioca a ação contemplará as praias de Copacabana, Ipanema, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Prainha, Grumari, Itaguaí, Rio dos Macacos (Jardim Botânico), além das praia da Ilha do Governador. No resto do estado a limpeza será feita nas praias da Costa Verde, Arraial do Cabo, Saquarema, Armação de Búzios e Itacoatiara.

Os resíduos coletados nas praias de Copacabana, Ipanema e Barra da Tijuca serão reaproveitados pela Associação de Recicladores do Rio de Janeiro (ARERJ).

Segundo a Comlurb, durante o verão são recolhidos cerca de 120 toneladas de lixo diariamente de sgunda a sexta. A quantidade aumenta para 146 toneladas aos sábados e 195 aos domingos, totalizando 341 toneladas aos finais de semana. Fora da alta temporada, o percentual durante a semana cai em 50%. Já aos fins de semana, a redução varia de 20% a 30%.

— Os resíduos mais encontrados são canudinhos, palitos de picolé, espetos e assemelhados, papel laminado de sanduíches, copinhos plásticos, pequenas embalagens de papel, algas e microrresíduos deixados pelas marés altas — conta Flávio Lopes, presidente da instituição.

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Clean Up The World (CUW)

A iniciativa chegou ao país através da jornalista e diretora de comunicação do Instituto Clima de Desenvolvimento Sustentável Ana Carrapito e seu marido, o radialista Hildon Carrapito. Interessados por temas como ecologia e saúde ambiental, entraram em contato com a instituição ecológica Plastic Oceans (dos Estados Unidos), que promovem a inicaiva em 130 países. Atualmente são o único grupo chancelado no país.

— Todo lixo que encontramos pode ficar por dias na areia, parar no mar e causar uma catástrofe na vida marinha. Queríamos causar uma mudança de alguma maneira, então reunimos algumas pessoas e fomos retirar o lixo visível das praias. Com a pandemia, estamos vendo um número enorme de máscaras descartáveis indo aos oceanos — conta Ana, ressaltando o perigo dos materiais de plástico: — É uma situação grave. Os material se degrada, o peixe o come e isso, além de atrapalhar a vida marinha, vai parar em nossos pratos. Estamos comendo e inalando plastico.

Segundo um levantamento da ONG Oceana, publicado em dezembro de 2020, o Brasil despeja 325 mil toneladas de lixo plástico nos mares todos os anos.

Por ano, o instituto realiza 4 eventos com o mesmo foco: no carnaval, devido ao aumento de pessoas na cidade; em junho, considerado o mês mundial do meio ambiente; em setembro com o Clean Up e em dezembro, próximo ao Natal.

— Já ouvi gente dizendo que tudo bem jogar gimba de cigarro na areia, pois ela iria sumir. A pessoa não fazia ideia do quanto elas são tóxicas. Por isso é necessário que também haja um trabalho explicando as pessoas o quão erradas estão e como podem descartar o lixo corretamente — comenta, comparando o Rio com outras cidades: — Já fizemos ações na Bahia, Maranhão, Guarujá, Cubatão e outros lugares, mas, pela alta passagem turística, o Rio sempre desponta como o lugar com mais resíduos.

Voluntários

A coleta é feita em duplas, e neste ano é prevista a participação de 300 crianças no projeto, devido a parcerias com escolas. Algumas delas levadas pela professora de química do cólegio Palas, Cyntia Ramos, de 53 anos.

Em 2009, após mais de 29 anos engajada na causa ambiental, sugeriu a escola do Recreio em que trabalha que levasse os alunos há uma ação de limpeza na Praia do Recreio. A ideia foi tão bem recebida que se tornou tradição no local.

— Meus alunos frequentavam a praia e não tinha a menor ideia do tanto de sujeira naquele espaço. Com a aprovação da coordenação do colégio, reuni cerca de 40 alunos, depois o número foi crescendo, até virar um evento anual na escola. Os familiares também se engajaram, vieram primos, tios, amigos...nós praticamente tomávamos conta da praia do posto nove ao 12, e assim conseguíamos conscientizar até as pessoas que não estavam com a gente — conta Cyntia, enaltecendo a adesão de seus alunos: — A possibilidade deles participarem desses eventos foi fantástica, eu sempre tive adesão de 100% e sem oferecer pontuação, tá? Eles iam de boa vontade, claro que a gente tinha todo um discurso, tanto meu quanto dos colegas, da importância de participar desses momentos.

Ela conta que sua chegada ao magistério a levou a tornar mais próximas dessas iniciativas, como uma maneira de se tornar um bom exemplo a seus alunos e a toda a comunidade escolar. Com a chegada da pandemia, as movimentações precisaram ser paralisadas, por conta do medo de possíveis aglomerações nas praias, mas suas atividades serão retomadas neste sábado.

— É o nosso futuro, sem preservação não terão nada disso mais a frente. Todos estamos sentindo as mudanças, como aumento da temperatura, por conta de consequências de gerações passadas. E não só nas praias, as pessoas não sabem manter o espaço urbano no geral e a escola pode ser um meio bacana de combater esta desinformação — diz.

Além das ações com alunos, em junho a moradora da Barra da Tijuca realizou um mutirão de limpeza do canal de seu bairro, junto a seus vizinhos — que além da retirada de lixo, plantaram mudas de plantas nativas no local. Sua expectativa é que o movimento continue, se tornando um movimento constante na região.

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