Inquérito da PF diz que Bolsonaro atuou para desinformar sobre sistema eleitoral

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Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal disse em inquérito enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o presidente Jair Bolsonaro teve "atuação direta e relevante" na promoção de desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro ao realizar uma transmissão ao vivo nas redes sociais questionando a lisura e a segurança da votação no Brasil.

"Este inquérito permitiu identificar a atuação direta e relevante do Exmo. Sr. presidente da República Jair Messias Bolsonaro na promoção da ação de desinformação, aderindo a um padrão de atuação já empregado por integrantes de governos de outros países", afirmou a delegada da PF Denisse Ribeiro no inquérito.

"Em resumo, a live presidencial foi realizada com o nítido propósito de desinformar e de levar parcelas da população a erro quanto à lisura do sistema de votação, questionando a correção dos atos dos agentes públicos envolvidos no processo eleitoral (preparação, organização, eleição, apuração e divulgação do resultado), ao mesmo tempo em que, ao promover a desinformação, alimenta teorias que promovem fortalecimento dos laços que unem seguidores de determinada ideologia dita conservadora."

A Reuters teve acesso ao inquérito após o sigilo que pairava sobre o documento ser revogado na noite de quinta-feira.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais em agosto, Bolsonaro lançou, sem provas como ele mesmo afirmou à ocasião, uma série de dúvidas sobre o sistema eletrônico de votação adotado no Brasil desde 1996, quando repetiu alegações e informações falsas já anteriormente desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O presidente repete com frequência, e sem apresentar quaisquer provas de sua afirmações, que houve fraude na eleição de 2018, vencida por ele, e que ele teria vencido o pleito no primeiro turno.

Após a live de Bolsonaro, Moraes decidiu incluir a transmissão no chamado inquérito das fake news. A PF deve encaminhar também suas conclusões à Procuradoria-Geral da República (PGR) a quem cabe decidir se denuncia os investigados à Justiça.

Procurado, o Palácio do Planalto não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

(Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo)

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