Inspetores da ONU avaliam danos à usina nuclear da Ucrânia em visita de alto risco

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, fala com jornalistas na região de Zaporizhzhia.

Por Tom Balmforth

ZAPORIZHZHIA, UCRÂNIA (Reuters) - Especialistas da área nuclear da Organização das Nações Unidas, que cruzaram o território controlado pela Rússia na Ucrânia para avaliar a segurança da maior usina de energia atômica da Europa, tentam estimar nesta sexta-feira os danos físicos à instalação, sobre a qual ambos os lados do conflito alertam para um possível desastre.

Uma equipe de inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enfrentou intensos bombardeios para chegar à usina nuclear de Zaporizhzhia na quinta-feira. Rússia e Ucrânia dizem temer uma catástrofe semelhante à de Chernobyl devido aos ataques pelos quais as duas partes trocam acusações sobre a autoria.

A Rússia tomou a usina no início da guerra, que já dura mais de seis meses, e as áreas ao sul da Ucrânia são agora o foco de uma grande contra-ofensiva ucraniana. Kiev acusa Moscou de usar a instalação para proteger suas forças, uma acusação que Moscou nega ao rejeitar pedidos para retirar as tropas.

Depois de visitar a fábrica na quinta-feira, o chefe da AIEA, Rafael Grossi, disse que seus inspetores "não vão a lugar algum". Grossi e outros membros da equipe partiram para o território que está sob controle ucraniano, mas cinco inspetores da AIEA permanecem na usina, disse a empresa nuclear estatal da Ucrânia.

Os inspetores vão avaliar os danos físicos às instalações e garantir que seus sistemas de segurança e proteção estejam funcionais, e também irão analisar as condições da equipe da usina, diz a AIEA. Grossi disse na quinta-feira que produziria um relatório sobre suas descobertas.

Desde sua captura pela Rússia em março, a usina tem sido controlada por tropas russas, mas operada por funcionários ucranianos. Na quinta-feira, um de seus reatores foi forçado a desligar devido a bombardeios.

Em um discurso em vídeo na noite de quinta-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy reiterou seus frequentes apelos para que todas as tropas sejam removidas da usina - uma demanda apoiada pelos aliados ocidentais de Kiev e pelas ONU.

((Tradução Redação São Paulo))

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