Inspetores da ONU chegam à usina nuclear da Ucrânia após bombardeio causar atraso

Missão da AIEA em Zaporizhzhia

Por Tom Balmforth

ZAPORIZHZHIA, Ucrânia (Reuters) - Uma equipe de especialistas da ONU chegou ao complexo da usina atômica de Zaporizhzhia, na Ucrânia, nesta quinta-feira, para avaliar o risco de um desastre de radiação depois que a chegada foi adiada por várias horas por bombardeios perto do local.

Rússia e Ucrânia se acusaram de tentar sabotar a missão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à usina no centro-sul que é controlada por forças russas, mas operada por funcionários ucranianos.

As condições na usina nuclear, a maior da Europa, estão se deteriorando há semanas, com Moscou e Kiev regularmente trocando culpa por bombardeios nas proximidades e alimentando temores de um desastre de radiação no estilo de Chornobyl.

Um repórter da Reuters viu a equipe da AIEA chegar em um grande comboio com uma forte presença de soldados russos nas proximidades. Uma fonte ucraniana com conhecimento da situação afirmou à Reuters que a missão "pode ​​ser mais curta do que o planejado".

A empresa nuclear estatal ucraniana Energoatom disse que o bombardeio russo forçou o fechamento de um dos dois únicos reatores em operação no local, enquanto Moscou disse que frustrou uma tentativa ucraniana de tomar a usina.

Um repórter da Reuters na cidade vizinha de Enerhodar, controlada pela Rússia, afirmou que um prédio residencial foi atingido por um bombardeio, forçando as pessoas a se esconderem em um porão. Não foi possível estabelecer quem havia disparado.

O governador empossado pela Rússia do distrito de Zaporizhzhia, Yevgeny Balitsky, contou que pelo menos três pessoas foram mortas e cinco ficaram feridas no que ele disse ser um bombardeio ucraniano contra Enerhodar que também destruiu três escolas infantis e a Casa da Cultura. A energia para a cidade foi cortada pela manhã, segundo ele.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que Moscou está fazendo tudo para garantir que a usina possa operar com segurança e que os inspetores da AIEA possam concluir suas tarefas.

O chefe da AIEA, Rafael Grossi, declarou a repórteres na manhã de quinta-feira na cidade de Zaporizhzhia, a 55 km da usina, que estava ciente do "aumento da atividade militar na área", mas que seguiria em frente com o plano de visitar as instalações e se reunir com funcionários.

Os inspetores da AIEA, vestindo coletes à prova de balas e viajando em cruzadores terrestres blindados brancos com as marcações da ONU nas laterais, ficaram retidos no primeiro posto de controle perto da cidade após relatos dos bombardeios.

A Rússia acusou as forças ucranianas de tentar tomar a usina e também de bombardear tanto o ponto de encontro da delegação da AIEA quanto a própria usina nuclear.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que até 60 soldados ucranianos cruzaram o rio Dnipro, que divide o território controlado pelos dois lados, em barcos às 6h, horário local, no que disse ser uma "provocação" destinada a perturbar a visita da AIEA.

De acordo com o ministério, "medidas foram tomadas" para destruir as tropas adversárias, incluindo o uso da aviação militar.

Uma autoridade local instalada pela Rússia, Vladimir Rogov, disse mais tarde que "cerca de 40" dos 60 soldados ucranianos foram mortos. As tropas russas também capturaram três militares ucranianos durante o ataque à usina, acrescentou.

Autoridades ucranianas saudaram a visita da AIEA, expressando esperança de que isso leve à desmilitarização da usina. Eles dizem que a Rússia tem usado a usina como escudo para atingir cidades, sabendo que será difícil para as forças de Kiev revidarem.

((Tradução Redação São Paulo))

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