Inspiração para a Argentina: Copa tem histórico de seleções que largaram mal e foram à final

A derrota de virada para a Arábia Saudita foi um golpe duro para os argentinos. A ponto de Messi não esconder seu abatimento após o jogo:

- Estamos mortos. É um golpe muito duro. Não queríamos estrear dessa maneira.

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Mas, apesar do abalo na confiança, nem tudo está perdido para os hermanos. A Copa do Mundo é rica em exemplos de quem largou mal (às vezes muito mal) e conseguiu reagir em seguida. Até os próprios argentinos já passaram por isso. Confira as recuperações que podem servir de inspiração para o time de Messi.

Espanha - 2010

A caminhada espanhola na África do Sul começou com um grande susto. O tiki-taka de Iniesta, Xavi & Cia não foi páreo para o ferrolho suíço. E, num lance para lá de esquisito, com jogadores dos dois times se derrubando dentro da área, Gelson Fernandes fez o gol da vitória por 1 a 0 para a Suíça.

Apesar do tropeço, os espanhóis mantiveram a cabeça no lugar e conseguiram se reerguer. Venceram os dois confrontos seguintes e avançaram para o mata-mata, onde não foram mais parados por ninguém até a conquista do título inédito.

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França - 2006

Quem olha a tabela do Mundial da Alemanha e vê que a França decidiu o título com a Itália pode até não lembrar, mas os Le Bleus por pouco não caíram ainda na fase de grupos. Foram dois empates seguidos (com Suíça e Coreia do Sul). A vaga em segundo no grupo só veio na última rodada e contou com a ajuda dos suíços, que derrotaram os coreanos.

No mata-mata, a história mudou. Sob o comando de Zidane e Henry, os franceses cresceram e avançaram até a decisão, tendo eliminado o Brasil nas quartas. Na final, derrota para a Itália nos pênaltis.

Itália - 1994

Para chegar na decisão do título contra o Brasil de Romário, os italianos tiveram que suar. Principalmente na fase de grupos. Com apenas quatro pontos, só se classificaram no Grupo E porque, na época, o regulamento previa que os quatro melhores terceiros colocados fossem às oitavas (eram apenas 24 seleções, ao invés das atuais 32).

Ainda assim, a classificação foi no limite. Dentre os seis terceiros colocados, a Itália foi a quarta, ficando com a última vaga para o mata-mata.

Argentina - 1990

A trajetória dos argentinos foi muito semelhante a dos italianos nos Estados Unidos. Com uma vitória, um empate e uma derrota na fase de grupos, só avançaram porque conseguiram posicionar-se entre os quatro melhores terceiros.

No mata-mata, entretanto, cresceram. E já começaram eliminando o Brasil do técnico Sebastião Lazaroni nas oitavas. Só pararam na decisão para a Alemanha.

Itália e Alemanha - 1982

O Mundial na Espanha é o maior exemplo até hoje de que largar mal não atrapalha o restante da caminhada. Os dois finalistas fizeram uma primeira fase decepcionante. A Alemanha, que terminaria vice-campeã, estreou com derrota para a surpreendente Argélia. A classificação veio com vitórias sobre o Chile e sobre a Áustria. Este último ficou conhecido como "jogo da vergonha", já que o resultado (1 a 0) classificava as duas equipes e, com isso, ambas tocaram a bola de um lado para o outro sob vaias do público.

Já a campeã Itália conseguiu fazer pior. Empatou seus três jogos e só avançou porque marcou um gol a mais que Camarões. A partir da segunda fase, a mística da Azzurra entrou em cena - para o trauma dos brasileiros, que sofreram a derrota para os italianos na fatídica "tragédia do Sarriá".

Tchecoslováquia - 1962

Vice-campeões, os tchecos precisaram contar com outros resultados para avançar da fase de grupos. Estrearam com vitória sobre a Espanha. Mas em seguida empataram com o Brasil e, na última rodada, perderam para o México. Só se classificaram porque o Brasil, mesmo confortável na liderança, derrotou a Espanha.