Instagram exclui publicação de Roberto Jefferson após acusação de preconceito contra judeus

João Paulo Saconi
·2 minuto de leitura

Denunciada no último sábado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), uma publicação do ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente Nacional do PTB, foi removida pelo Instagram, conforme informou a plataforma ao Sonar nesta segunda-feira. A mensagem associava a comunidade judaica à prática do infantícido e levou a Conib a elaborar uma notícia-crime contra o político, que será denunciado por antissemitismo — o preconceito contra judeus, que pode ser enquadrado juridicamente no crime de racismo.

De acordo com o Instagram, o conteúdo foi removido porque a empresa “não permite o compartilhamento de conteúdo que ataque pessoas com base em raça, etnia, nacionalidade, religião ou orientação sexual, classe social, sexo, gênero, identidade de gênero, doença ou deficiência”. A exclusão da mensagem ocorreu ainda no sábado, horas após a Conib ter emitido uma nota informando que havia denunciado a publicação à plataforma e que uma queixa seria prestada na polícia.

No conteúdo removido, Roberto Jefferson escreveu: “Baal, deidade satânica, cananistas e judeus sacrificavam crianças para receber sua simpatia. Hoje, a história se repete”.

Para a Conib, o ex-parlamentar utilizou “uma das formas mais vis de atacar os judeus” em uma mensagem que “caracteriza crime de racismo”. A nota da instituição também lembrou que “Todo crime de racismo é repugnante e deve ser punido com o máximo rigor da lei”: “A história já nos mostrou, da forma mais dura e bárbara, como o racismo e o discurso de ódio são responsáveis pelos episódios mais terríveis da humanidade”.

Após a divulgação do texto pela Conib, Roberto Jefferson se defendeu nas redes sociais: “Que palhaçada, que falta do que fazer. Fiz uma comparação de passagens do Antigo Testamento, quando os judeus de Canaã adotaram deuses pagãos que exigiam sacrifícios de crianças. Comparei com o sacrifício de crianças na atualidade, para a retirada de órgãos e soro da longevidade. Sou um grande entusiasta dos judeus, o povo de Deus. Sempre o elogiei de público e tenho defendido nossa cultura judaico cristã”.

Investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em inquérito que apura notícias falsas e ataques públicos direcionados à Corte, Roberto Jefferson teve a conta no Twitter suspensa, no ano passado, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Entre as publicações dele, havia duras críticas ao próprio Moraes e defesas enfáticas da gestão do presidente Jair Bolsonaro. No mês passado, a Justiça de São Paulo determinou que o político precisará indenizar Moraes em R$ 50 mil pelas ofensas.