Instituições de longa permanência para idosos do Rio suspendem visitas até o Domingo de Páscoa

Pâmela Dias*
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RIO — Em aditivo ao decreto que determinou um feriado de dez dias em todo o Rio de Janeiro, o governo estadual proibiu as visitas em Instituições de Assistência Social e de Longa Permanência para Idosos (ILPI). A medida restritiva é válida até o dia 4 de abril, quando termina o recesso, e tem como objetivo conter a circulação de pessoas nas ruas e a propagação da Covid-19.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, a Secretaria estadual de Saúde (SES), por intermédio da Subsecretaria de Vigilância em Saúde, elaborou uma nota técnica com protocolos sanitários a serem adotados pelos asilos. Entre eles, a necessidade de pré-agendamento de visitas, a restrição de contato físico com os idosos e a designação de um profissional capacitado para supervisionar os encontros.

Exclusivamente na capital fluminense, a Secretaria municipal de Saúde (SMS), em resolução conjunta com a SES, atualizou essas medidas, estipulando diferentes regras para cada fase do Plano de Distanciamento Social Controlado do município. Durante a faixa de risco moderado de contágio, a prefeitura segue as determinações estaduais. Contudo, quando o risco é alterado para “muito alto”, as visitas são suspensas, e as instituições ficam obrigadas a realizar, diariamente, videochamadas entre idosos e familiares. Com esse decreto, o município do Rio tem a liberdade de alterar as restrições com base na fase amarela, laranja e vermelha.

De acordo com o Painel Rio Covid-19, até o momento 9.368 idosos institucionalizados foram vacinados com a primeira dose, sendo que 7.270 deles receberam a imunização completa, ou seja, as duas doses do imunizante.

A casa de repouso Solar Marina de Mattos Lopes, localizada no Rio Comprido, na Região Central do Rio, é uma das instituições que seguem as diretrizes da prefeitura. De acordo com a administradora do local, Aline de Gruttola, apesar de todos os 37 idosos alocados terem recebido as duas doses da vacina contra o coronavírus, respeitar as medidas é essencial para resguardar a vida deles e de seus familiares.

— Antes desse feriado, toda sexta-feira a gente espera sair o mapa da prefeitura para definir se teremos visitas ou não. Restringir é muito complicado, porque os idosos que têm noção do que está acontecendo ficam muito tristes por não verem os filhos, mas é muito importante seguir as regras para preservar a saúde deles e dos próprios familiares — relata.

Pedido de suspensão de visitas

No dia 2 de março, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) publicou uma nota de posicionamento sobre as visitas externas em Instituições de Longa Permanência para Idosos. O principal ponto defendido no documento é que, apesar de pesquisas científicas apontarem que a aquisição da imunidade contra a Covid-19 acontece em torno de 14 dias, ainda não há estudos sobre a soroconversão em idosos, sobretudo vulneráveis.

“O tempo de pico para soroconversão para aquisição da imunidade é em torno de 14 dias após a segunda dose da vacina contra a SARS-CoV-2; entretanto ainda são necessários estudos mais conclusivos sobre a soroconversão em idosos, sobretudo vulneráveis. Até o presente momento não temos dados científicos sobre o comportamento da COVID-19 entre idosos vulneráveis vacinados, principalmente os residentes em ILPI. Pelas razões citadas, somadas à circulação de nova variante do SARS-CoV-2, todas as medidas de prevenção como uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI, principalmente máscara facial, distanciamento social, higienização das mão, treinamento e capacitação das equipes que atuam nas instituições e máximos cuidados para se evitar novos surtos de COVID-19 em ILPI devem ser mantidas e reforçadas”, aponta a nota.

De acordo com a SBGG, o recomendado é que seja feita uma suspensão geral de visitas em asilos de todo o estado, para além dos dez dias do “feriadão” estipulados pelo governo estadual.

*Estagiária sob a supervisão de Leila Youssef