Instituto Brasil-Israel diz que encontro entre Bolsonaro e Beatrix von Storch afeta a memória do Holocausto

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 22.07.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixa o Ministério da Defesa em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 22.07.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixa o Ministério da Defesa em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Instituto Brasil-Israel (IBI) emitiu nesta segunda-feira (26) uma nota em repúdio ao encontro ocorrido entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e uma das líderes da ultradireita alemã, a deputada Beatrix von Storch.

Beatrix esteve com Bolsonaro na quinta-feira (22). A congressista é vice-líder do partido populista AfD (Alternativa para Alemanha) e esteve em Brasília na semana passada. Na ocisão, ela manteve encontros com os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF).

"Ao contrário de uma união dos conservadores do mundo para defender os valores cristãos e a família, como sugeriu Bia Kicis, esses encontros estão mais para união de políticos de extrema-direita irrelevantes no cenário global. Um abraço de náufragos", afirma o Instituto Brasil-Israel em nota.

A entidade ainda afirma que os encontros representam "um revés nos esforços de construção de uma memória coletiva do Holocausto" e afrontam o espírito da Constituição de 1988.

"A AfD, fundada em 2013, cultiva tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração", destaca o instituto.

A reunião com Bolsonaro não constou na agenda oficial da Presidência, mas Beatrix publicou uma foto do encontro nesta segunda-feira (26). Na imagem, também aparece o marido da parlamentar, Sven Von Storch.

A deputada é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças na Alemanha nazista, e já foi investigada por incitação ao ódio contra muçulmanos. O parentesco e as bandeiras xenofóbicas que ela propõe foram lembrados nas redes sociais após as publicações de Eduardo Bolsonaro e Kicis.

Em resposta a uma das publicações de Bia Kicis sobre a visita de Beatrix, o Museu do Holocausto relembrou a trajetória da deputada alemã.

"É evidente a preocupação e a inquietude que esta aproximação entre tal figura parlamentar brasileira e Beatrix von Storch representam para os esforços de construção de uma memória coletiva do Holocausto no Brasil e para nossa própria democracia".

Leia, abaixo, a íntegra da nota do Instituto Brasil-Israel:

"O presidente Jair Bolsonaro recebeu Beatrix von Storch, líder do partido de extrema-direita AfD da Alemanha, para uma reunião no palácio presidencial. Antes, os deputados Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis, do PSL, haviam recebido a parlamentar alemã.

A AfD, fundada em 2013, cultiva tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração. Em março deste ano, a agência de inteligência da Alemanha colocou o partido em vigilância depois que o serviço secreto identificou uma série de violações da democracia e dos valores constitucionais do país.

O sentido sectário do encontro fica mais claro pelo fato de tanto o Brasil quanto a Alemanha estarem enfrentando tragédias e nenhum dos lados ter sequer se referido a isso.

O fato de Beatrix von Storch se ausentar da Alemanha quando se contam as vítimas das enchentes e viajar por um país isolado internacionalmente a esta altura, como o Brasil, mostra a irrelevância de seu partido e a busca desesperada por qualquer legitimação internacional.

Ao contrário de uma união dos conservadores do mundo para defender os valores cristãos e a família, como sugeriu Bia Kicis, esses encontros estão mais para união de políticos de extrema-direita irrelevantes no cenário global. Um abraço de náufragos.

O Instituto Brasil Israel (IBI) repudia veementemente estes encontros, que representam um revés nos esforços de construção de uma memória coletiva do Holocausto e uma afronta à letra a ao espírito da Constituição democrática do Brasil."

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