Butantan cita "ética" para proteger voluntário e garante ter informado Anvisa com "dados transparentes"

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Foto: AP Photo/Andre Penner
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Durante a coletiva em que criticou a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de suspender os estudos clínicos da Coronavac, as autoridades do governo paulista relutaram em dar informações sobre o “evento adverso grave” ocorrido com o voluntário, alegando questões éticas.

Horas depois, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) atestou que a morte do voluntário participante dos estudos clínicos da Coronavac foi “suicídio". A vacina é desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac Biotech.

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A informação foi divulgada pela TV Cultura, UOL e pelo jornal O Estado de S. Paulo, e confirmada pela TV Globo no início da tarde desta terça-feira (10).

Dimas Covas, diretor do Butantan, reafirmou que o “evento adverso grave” não possuía ligação com a vacina e garantiu ter passado todas as informações à Anvisa.

Pressionado pelos jornalistas, ele reiterou que não poderia, por questão ética, repassar as informações do evento envolvendo o voluntário. Em determinado momento, ele chegou a dizer que o voluntário possuía família. Covas afirmou que era “impossível” que o evento fosse associado à vacina. A Anvisa, por sua vez, alega ter recebido informações incompletas vindas do Butantan.

“Os dados são transparentes. Por que nós sabemos e temos certeza de que não é um evento relacionado a vacina? Como eu disse, do ponto de vista clínico do caso e nós não podemos dar detalhes, infelizmente, é impossível, é impossível que haja relacionamento desse evento com a vacina, impossível, eu acho que essa definição encerra um pouco essa discussão", afirmou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Ainda diante da impossibilidade de dar detalhes sobre o ocorrido, Covas ainda ressaltou que toda a polêmica envolvendo a paralisação afetaria, principalmente, os voluntários envolvidos com a Coronavac.

"Se interromper um estudo clínico que está indo muito bem causa sofrimento, causa dor, causa insegurança, naquelas pessoas que já foram submetidos ao estudo, causa dificuldade naqueles que querem ser submetidos ao estudo e que estão na fila para receber a vacina ou o placebo. Ou seja, são os voluntários, as pessoas que se dedicaram a esse estudo exatamente para trazer a esperança da vacina", disse Covas.