Instituto nega competência para fazer laudo de leitura labial usado pelo Flamengo

O Globo
·2 minuto de leitura
Reprodução

Sem mencionar o Flamengo, Gerson, Ramírez ou Bruno Henrique, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) se manifestou, nesta quinta-feira, a respeito das discussões ocorridas no jogo entre Flamengo e Bahia. A partida terminou com uma acusação de injúria racial contra Ramirez e também imagens de um bate-boca entre ele e o atacante Bruno Henrique.

A direção geral do instituto citou, por meio de nota oficial, reportagens que abordaram "uma suposta participação do Ines na elaboração de laudo técnico em que se comprovaria o teor da fala de um jogador de futebol pertencente a uma determinada agremiação esportiva". Trata-se da alegação, por parte do Flamengo, de que pessoas vinculadas ao órgão atestaram a suposta manifestação racista de Ramírez.

O Ines, porém, afirma que os dois profissionais, "embora pertencentes ao quadro de servidores da Instituição, em que ocupam o cargo de Tradutor e Intérprete de Língua Brasileira de Sinais, não o fizeram representando o Ines, mas sim de forma particular".

Na nota, o instituto alega ainda que "não possui a competência para se manifestar sobre questões que requeiram habilidades de 'leitura labial'" e que "na qualidade de instituição federal de ensino vinculada ao Ministério da Educação, não possui autorização regimental para prestar serviço em prol de interesses privados a pessoas físicas ou jurídicas".

O Flamengo disse que enviou ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva esse laudo ao qual o Ines se refere. A tentativa é acrescentar ingredientes ao inquérito que vai apurar a denúncia de Gerson contra Ramírez e resvala no bate-boca entre o colombiano e Bruno Henrique.

Numa versão inicial, o laudo para o Flamengo indica que Ramírez disse "seu negro" para o atacante do Fla, já minutos depois da questão envolvendo Gerson. Bruno Henrique admite que não ouviu isso. O Bahia tem outro laudo e, além citar que o atacante do Fla chamou Ramírez de "gringo de m...", aponta que a frase proferida pelo colombiano foi: "Tá quanto".

Nesta quinta-feira, o Bahia avisou que vai reintegrar Ramírez. Em relação ao "gringo de m..." dito por Bruno Henrique, o clube considera que "caberá ao atleta Ramírez decidir pela denúncia ou não quanto ao tema".