Intérprete da Mangueira lamenta morte da mulher, passista, aos 33: 'Ela me completava'

Thaís Sousa
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Ele é Flamengo, ela era Vasco. Ele, intérprete da Mangueira, ela, passista da Unidos da Tijuca. Mas as diferenças entre o casal Marquinho Art Samba e Cinthya Ribeiro eram pequenas diante do que os unia: a paixão pelo carnaval e o amor que sentiam um pelo outro. Foram seis anos de união, formalizada no fim de 2019 e interrompida na última terça-feira, quando a passista morreu de câncer, aos 33 anos.

Marquinho e Cinthya foram unidos pelo carnaval, em 2014. Se conheceram na Unidos de Padre Miguel. Ela se apresentava como passista, e ele cantava. A afinidade cresceu para além das quadras e os dois foram viver juntos.

— Ela chegou na minha vida arrasando. Nossas famílias se amavam. A Cynthia era muito extrovertida, pra cima. Era a mulher que eu sempre sonhei em ter na minha vida — relembra marquinhos, de 50 anos.

Em seis anos de relacionamento, o casal realizou sonhos e cresceu no mundo do carnaval. Ele passou a integrar o time de intérpretes da Mangueira. Ela, que também era estilista, montou um ateliê de fantasias na Zona Oeste e se preparava para a primeira experiência internacional.

— A Cinthya foi convidada a criar algumas roupas de passista para uma exposição num hotel em Portugal. Era uma parceria que acabou sendo interrompida por causa da doença — relembra o intérprete.

No fim de 2019, o casal havia oficializado a união, que era o grande sonho de Cinthya.

— Entre a festa e o diagnóstico, aproveitamos o nosso casamento menos de três meses. Enterrei minha mulher no dia que faríamos 11 meses de casados — diz o cantor.

Os primeiros sintomas do câncer apareceram no fim do carnaval que o cantor e a passista tanto amavam. Era dia do Desfile das Campeãs, no qual Marquinho mais uma vez defenderia o samba da Mangueira. Cinthya, que já estava sentindo dores abdominais, saiu dizendo que faria algumas compras. Horas mais tarde, o cantor ficaria sabendo que a mulher, na verdade, tinha ido para o hospital.

— Depois do desfile, minha sogra me ligou para contar que ela estava internada fazendo exames. Ela não queria me preocupar, por causa do desfile, e foi sozinha — relata. — Ali começou a nossa saga.

Não demorou para os médicos descobrirem um tumor benigno no estômago de Cinthya. A partir do diagnóstico, vieram oito sessões de quimioterapia, algumas internações e até uma infecção por Covid-19.

O primeiro câncer foi superado, o que deixou a família esperançosa. Até que em julho surgiram novos sintomas e, depois de muitos exames, veio um diagnóstico devastador. A doença voltou, atingindo a membrana que envolve o tórax, de forma maligna e extremamente agressiva.

— Foi muito difícil descobrir. No fim de setembro, ela foi internada, e os médicos fizeram de tudo. Mas ela sofreu muito.

Cinthya morreu, na última terça-feira, depois de 42 dias internada no Hospital Fundação do Câncer, no Méier, Zona Norte do Rio. Deixou a família dilacerada e um marido sem chão.

— Não sei como vai ser o carnaval, porque ela tava do meu lado desde o carnaval de 2015, me apoiando e pegando na minha mão. Mas ela está guardada em mim pra sempre. Ela completava a minha vida.