Intérprete de libras, caminhoneiro e ex-funcionário do governo: veja os alvos da operação da PF contra atos golpistas em Brasília

A Polícia Federal cumpriu, até o momento, quatro de um total de oito mandados de prisão na primeira fase da operação Lesa Pátria, deflagrada na manhã desta sexta-feira (20) e que mira financiadores e participantes de atos terroristas ocorridos em Brasília, em 8 de janeiro. Entre os alvos, estão uma intérprete de libras, um ex-funcionário terceirizado do governo e um influenciador que utilizava um canal na internet para incitar atos antidemocráticos.

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Ao todo, estão sendo cumpridos oito mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

De acordo com a Polícia Federal, os fatos investigados envolvem crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

Conheça alguns dos alvos da Lesa Pátria:

- Renan da Silva Sena

Renan é ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ele já havia sido preso por policiais militares do Distrito Federal por soltar fogos de artifício próximo ao Ministério do Meio Ambiente.

Nas redes sociais, Renan costuma fazer publicações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seu canal do YouTube, publicou um vídeo dentro do QG do Exército no dia 6 de janeiro, em que chamava para uma "grande ação neste fim de semana".

- Ramiro Alves Da Rocha Cruz Junior, conhecido como Ramiro dos Caminhoneiros

Ramiro é citado em depoimento de diversos outros presos como sendo um dos organizadores e incentivadores dos atos do dia 8. Ele esteve em Brasília e, após o desmonte do acampamento golpista no QG do Exército, chegou a visitar detidos no ginásio da PF em que eram mantidos. Ele disse que conseguiu entrar no local "miraculosamente".

Filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ramiro foi candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo no último pleito, mas não se elegeu. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele recebeu R$ 150,9 mil em recursos na última campanha. Em 2018, também concorreu a deputado federal pelo PSL, sigla pela qual Bolsonaro se elegeu presidente à época.

Em suas redes sociais, ele ostenta foto com o irmão de Jair Bolsonaro, Renato, na sede do PL em São Paulo.

- Randolfo Antonio Dias

Randolfo participou do acampamento golpista em frente ao QG do Exército em Belo Horizonte (MG). Em grupos de mensagens, ele incitava ações ilegais, como bloqueio de refinarias, e enviava áudios desejando pela morte do Presidente Lula e do ministro Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

- Soraia Bacciotti

Soraia é intérprete de libras do Mato Grosso do Sul e aparece em postagens nas redes sociais como apoiadora de do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em uma das fotos compartilhadas em seu perfil, Soraia aparece ao lado e pede votos para Capitão Contar (PRTB), candidato derrotado a governador do Mato Grosso do Sul, e para quem Bolsonaro pediu votos durante debate presidencial da TV Globo, nas eleições do ano passado.

Ela chegou, inclusive, a atuar formalmente na campanha de Contar: dados do TSE mostram que Soraia trabalhou como intérprete de libras e recebeu R$ 1,4 mil da campanha do então candidato do PRTB.

Em seu perfil no Instagram, ela também tem foto com um dos filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo, publicada em 2021.