Intérpretes de Samuel e Pilar em 'Nos tempos do Imperador' debatem sobre relacionamentos inter-raciais e preconceito

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Perdidamente apaixonados, Pilar (Gabriela Medvedoski) e Samuel (Michel Gomes) decidem levar o relacionamento a outro nível. No capítulo de terça-feira de “Nos tempos do Imperador’’, o músico pede a mão da namorada em casamento, depois de o casal ter a primeira noite de amor numa cabana na praia. A cena da comemoração do noivado, entretanto, vai ao ar apenas na sexta-feira. Intérprete do ex-escravizado, Michel acredita que a promessa do matrimônio dos pombinhos será bem recebida pelo público.

— Acho que o espectador gosta de ver amor, sinceridade. Existem muitos casais como Pilar e Samuel por aí. É um par muito bonito e verdadeiro e que sente uma paixão avassaladora, apesar de todas as barreiras — opina o ator.

Um desafio a ser superado pelos jovens amantes é o preconceito. No Brasil de 1856, compromissos entre negros e brancos não eram comuns, uma vez que a escravidão ainda acontecia. Mais de 160 anos depois do período em que se passa a novela, casais inter-raciais continuam gerando burburinho: na web, não é difícil encontrar negros acusados de “palmitagem” por se envolverem com brancos. O termo não é novidade para Gabriela:

— Conheço, sim, o significado e entendo que é uma questão complexa. Acredito que isso passa por diversas questões, como o embranquecimento da população, a negação do racismo no Brasil por existirem relações inter-raciais e, ainda, pela questão da solidão da mulher preta. Mas isso são só algumas informações que adquiri através de leituras, trocas e conversas. Elas não representam, de maneira alguma, uma verdade absoluta e também não são um juízo de valor sobre o termo “palmitagem”. Apenas uma percepção sobre ele.

Outra questão delicada que rodeou o casal foi a relutância de Pilar em viver a paixão por causa do sonho de se tornar a primeira médica do Brasil. Felizmente, a baiana superou o medo de se desviar de seu maior objetivo e mergulhou de cabeça no romance com Samuel.

— O amor tem sempre que ser construtivo. Quando ele passa a impedir algo, deixa de fazer sentido. No caso da Pilar, acho que a recusa veio junto de muita insegurança e imaturidade de uma moça assustada com esse sentimento. Ela nunca viveu essa experiência e vai entender como é possível conciliar as suas prioridades — reflete a artista, que nunca vivenciou um amor à primeira vista como sua personagem: — Eu nunca passei por essa experiência, mas não seria capaz de dizer que não é possível... Vai que é? Existem paixões fulminantes, encontros intensos e repentinos que mexem profundamente com as pessoas.

Os protagonistas falam de amor

Torcida por colegas que dão certo juntos

Quando vê casais que combinam na ficção ou na realidade, Gabriela comemora: ‘‘É muito bom se apaixonar, e é contagiante. Eu vibro quando vejo personagens de que gosto juntos, assim como vibro quando vejo um casal de amigos que deu certo. Acho que celebrar o amor é inspirador, é potente”.

Relações ontem e hoje

Sobre relacionamentos nos dias atuais e na época do Império, a intérprete de Pilar acredita: ‘‘Talvez hoje muitos estejam um pouco mais descrentes no amor por conta de um diálogo mais aberto sobre as relações. Vejo as pessoas mais preparadas para fracassos amorosos. Também percebo mais discussões sobre a monogamia e novos formatos de relacionamentos que fogem do tradicional modelo heteronormativo normalmente retratado como o amor romântico. De qualquer forma, amor é amor em qualquer época, só que as discussões e formatos de hoje estão atualizadas, na minha opinião (risos)”.

Poder transformador

Para Michel, o amor pode transformar vidas, como fez com Samuel e Pilar: ‘‘Apesar de todos os problemas que existem e virão pelo caminho, o amor entre eles é maior do que a dor. Eles são capazes de passar por cima de tudo para ficarem juntos”.

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