Integrantes do governo veem inação do GSI em invasão ao Planalto

BRASÍLIA, DF, 09.01.2023 - PALÁCIO-PLANALTO: Rescaldo da destruição causada por golpistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto, em Brasília, nesta segunda-feira. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 09.01.2023 - PALÁCIO-PLANALTO: Rescaldo da destruição causada por golpistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto, em Brasília, nesta segunda-feira. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que pode ter havido inação do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) na invasão ao Palácio do Planalto neste domingo (8).

A sede do Poder Executivo foi um dos edifícios depredados por manifestantes bolsonaristas. Eles invadiram o edifício, quebraram janelas, reviraram mesas e cadeiras e vandalizaram quadros. Houve ainda roubo de armas e munições de uma sala do GSI, segundo o ministro da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Paulo Pimenta (PT).

O GSI, chefiado pelo general da reserva Gonçalves Dias, é o responsável pela proteção da área interna do Planalto, de onde o presidente da República e ministros despacham.

No governo Jair Bolsonaro (PL), o gabinete foi comandado pelo general Augusto Heleno, um dos ministros mais fiéis ao ex-presidente.

Na lista de alvo de reclamações de aliados de Lula também está o ministro da Defesa, José Múcio. Segundo auxiliares do petista, Múcio foi complacente com os acampamentos de apoiadores de Bolsonaro, de onde partiram manifestantes que depredaram as sedes dos Três Poderes.

A atuação do ministro da Defesa e do general Gonçalves Dias foi criticada não só por petistas, mas por integrantes de partidos da base e até mesmo ministros do governo Lula.

O ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), tornou as desconfianças públicas e disse que o GSI não atuou na segurança do Planalto.

"Eu quero crer que o general Gonçalves Dias, que é o chefe do GSI, assim como o ministro Múcio estão avaliando essa circunstância. De fato, a sua premissa está correta: existe um continente dedicado à proteção do que é a sede da Presidência da República. Os fatos mostram que esse contingente não atuou. E porque não atuou é realmente objeto de uma apuração que não se dá no âmbito do Ministério da Justiça; aí é uma apuração específica do GSI e do Ministério da Defesa. Quero crer que essa apuração ocorrerá", disse.

Aliados do presidente se queixaram da morosidade do GSI ante à iminente ameaça de invasão ao Palácio do Planalto, que acabou consumada. O incômodo fez com que o gabinete fosse excluído das perícias e varreduras que foram conduzidas por forças de segurança dentro do Planalto, após os atos de vandalismo.

Sobre Múcio, se queixam da leniência com bolsonaristas acampados diante de quartéis. Nas palavras de um integrante do governo Lula, Múcio está na berlinda. De um modo geral, petistas reclamaram da lentidão do governo em dar uma resposta.

Múcio já vinha sendo criticado por defender dentro do governo uma solução gradual e sem uso da força para a desmobilização dos acampamentos bolsonaristas em frente a quartéis do Exército.

No dia de sua posse na Defesa, em 2 de janeiro, Múcio afirmou que as manifestações antidemocráticas em frente aos quartéis são "da democracia". Ele também avaliou que os atos perderiam apoio aos poucos, sem repressão -revisão que não se confirmou.

"Na hora que o ex-presidente [Jair Bolsonaro] entregou o seu cargo, saiu [do país], e o [ex-vice-presidente Hamilton] Mourão fez o pronunciamento e pediu que as pessoas voltassem aos seus lares. Aquelas manifestações no acampamento, e eu digo com muita autoridade porque tenho familiares e amigos lá, é uma manifestação da democracia", disse a jornalistas.

A desconfiança sobre integrantes do GSI por membros do governo Lula vem desde a transição e resultou na mudança a respeito da proteção do presidente. Antes, ela era feita exclusivamente pelo órgão, mas passou a ser conduzida também pela Polícia Federal neste início de governo, pelo menos temporariamente.

Pouco depois da vitória eleitoral de Lula, a equipe de segurança de Lula chegou a descartar a participação do GSI no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede do governo de transição.

Policiais federais foram surpreendidos com a chegada ao local de cerca de 30 agentes do gabinete, que afirmaram que estavam no CCBB para ajudar no esquema de proteção.

O comando da equipe do petista, então, conversou com os integrantes do GSI e informou que não seria necessária a permanência deles --especialmente nas áreas onde o presidente eleito frequentaria.

Outro episódio que gerou mal-estar ocorreu na posse do ministro Bruno Dantas na presidência do TCU (Tribunal de Contas da União).

Agentes do GSI atuavam na segurança do evento se retiraram do local antes do início da cerimônia, o que gerou reclamações por parte da segurança de Lula. A justificativa do gabinete é que o então vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) havia cancelado sua participação, o que motivou a saída dos agentes do GSI.

Os funcionários do GSI levaram consigo os pórticos de metal que eram usados para o controle do público. Dantas teve que pedir pórticos emprestados ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que as revistas continuassem sendo feitas.