Merkel afirma que "não há nenhuma conspiração contra o Reino Unido"

Bruxelas, 29 abr (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse neste sábado que não há "nenhuma conspiração contra o Reino Unido", mas que os 27 países da União Europeia (UE) "devem forjar uma posição comum" perante o "Brexit".

"Algumas pessoas no Reino Unido não entenderem bem (...) Nós temos que aceitar o resultado do referendo, o que lamento. Queremos negociar em um espírito de amizade", acrescentou Merkel em uma coletiva de imprensa ao fim da cúpula extraordinária do "Brexit".

Merkel reforçou que não se deve misturar as duas fases bem diferenciadas do processo: a primeira, a do acordo de divórcio, e a segunda, na que se estabelece o marco de futuras relações entre Bruxelas e Londres.

Quanto à chamada "conta" de saída, a chanceler alemã ressaltou que ainda não há números sobre a mesa, precisamente porque "ainda não se está nesse ponto".

Por outro lado, Merkel reiterou que há quórum sobre a necessidade de priorizar os direitos dos cidadãos comunitários no Reino Unido e os dos britânicos na UE.

"O importante é definir o status legal dos cidadãos da UE que vivem no Reino Unido e dos britânicos que vivem na União, para que tenham uma segurança legal", declarou Merkel.

A propósito das eleições francesas (com segundo turno marcado para 7 de maio) e britânicas (8 de junho), a chanceler destacou que se tratam de assuntos "internos" sobre os quais prefere não opinar.

No entanto, salientou que "é sensato adiar o começo das negociações até depois das eleições britânicas", na linha do que foi expressado por outros líderes, como o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Ao mesmo tempo, e sem tirar importância do processo de saída do Reino Unido, Merkel afirmou que não se pode esquecer outros assuntos durante os próximos anos de negociação.

"Quero sublinhar que não deveríamos esquecer que há outros assuntos dos quais necessitamos nos ocupar. O 'Brexit' não deve nos afastar de nosso trabalho de moldar nosso futuro. Devemos cuidar de nossas relações com China, Turquia e Estados Unidos", concluiu. EFE