Inteligência Artificial prevê crimes antes que aconteçam

Modelo também comparou a forma de agir da polícia em bairros ricos e pobres (Getty Images)
Modelo também comparou a forma de agir da polícia em bairros ricos e pobres

(Getty Images)

  • Cientistas criam Inteligência Artificial capaz de prever crimes;

  • Precisão do sistema chega a 90%;

  • Tecnologia se baseia em dados públicos sobre a criminalidade e em padrões de tempo e localização.

Pesquisadores da Universidade de Chicago (EUA) desenvolveram um algoritmo capaz de prever crimes com uma semana de antecedência. O modelo de Inteligência Artificial (IA), que garante até 90% de precisão, estudou dados públicos sobre o crime na cidade entre 2014 e 2016 e se baseia em padrões de tempo e localização geográfica.

A tecnologia também comparou, separadamente, a forma de agir da polícia em bairros ricos e pobres. Percebeu-se, então, que há um número maior de prisões em áreas mais abastadas, enquanto os crimes nas áreas mais humildes nem sempre são punidos. As informações são do portal Phys.

Como a tecnologia funciona

Os cientistas optaram por dois tipos de crime: os violentos (como homicídios e assaltos) e os contra a propriedade (roubos e furtos), justamente porque costumam ser reportados com mais frequência à polícia do que outros menores.

Diferentemente dos sistemas anteriores, este observa a topologia da cidade e as conexões socioeconômicas. A cidade é dividida em blocos de aproximadamente 300 metros de largura e a IA prevê crimes dentro desse quadrado, em vez de prestar atenção somente em ‘pontos quentes’ – bairros em que a criminalidade é maior e que supostamente se espalha para os demais. Esse tipo de análise, inclusive, pode se basear em preconceitos.

"Demonstramos a importância de descobrir padrões específicos da cidade para a previsão de crimes relatados, o que gera uma nova visão dos bairros da cidade, nos permite fazer novas perguntas e nos permite avaliar a ação policial de novas maneiras", explica James Evans, sociólogo e co-autor do estudo.

Vale destacar que a ferramenta não foi criada para direcionar a aplicação da lei nem permitir que a polícia simplesmente invada bairros de forma proativa para prevenir o crime. Em vez disso, a IA deve ser usada como parte da estratégia de policiamento.

"Criamos um gêmeo digital de ambientes urbanos. Se você o alimentar com dados do passado, ele lhe dirá o que acontecerá no futuro. Não é mágico, há limitações, mas validamos e funciona muito bem”, aponta Ishanu Chattopadhyay, autor sênior do estudo. "Agora você pode usar isso como uma ferramenta de simulação para ver o que acontece se o crime aumentar em uma área da cidade ou se houver um aumento da fiscalização em outra área”.

A pesquisa se chama “Event-level Prediction of Urban Crime Reveals Signature of Enforcement Bias in U.S. Cities” e foi publicada na revista Nature Human Behavior .