Interditada para banho, represa Billings vira atração para passeio apenas nas margens

MARIANA FREIRE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A auxiliar de Recursos Humanos Rafaela dos Anjos, 26, pensou em aproveitar o fim do feriado de Natal com uma praia, mas teve que mudar os planos quando chegou à represa Billings na manhã deste domingo (27). O acesso à faixa de areia pela na Prainha do Riacho Grande, em São Bernardo do Campo (ABC Paulista), está interditado desde setembro devido à pandemia de Covid-19. A ideia de Rafaela era levar a sobrinha Lívia, 8, para um passeio diferente junto do namorado, o auxiliar operacional Alex da Silva, 26. "É a primeira vez que venho. Achamos que daria para aproveitar a praia, mas está fechada. Esse final de semana está sendo só decepção porque não temos muito o que fazer." Além da represa, outras opções de lazer e serviços ficaram suspensas durante o feriadão devido ao retrocesso do estado para a fase vermelha do Plano São Paulo, a mais restritiva. Apesar do dia sem sol, com máxima de 25 ºC e uma garoa que caía de vez em quando, muitas pessoas foram à área da represa Billings para passear pelo calçadão ou sentar às mesas para um lanche. Quiosques e bares estavam fechados. Passeios de barco e lancha, que também deveriam estar suspensos, eram realizados --a reportagem chegou a ser abordada por um vendedor. E a maior parte das pessoas não usava máscara de proteção. "A minha máscara está no bolso, mas aqui a gente deixa porque é ao ar livre", afirma Francisca Maria Paradela, 38. Segundo ela, essa foi a primeira vez que visitou o calçadão desde o início da pandemia. "Da minha casa dá para ver que está tudo fechado. Estou doida para descer [para a água], mas não pode." Com tudo fechado, o casal Ana Maria Soares, 27, e Leonardo Pereira, 26, buscaram a margem da represa para namorar. "Escolhemos aqui para respirar um pouco fora de casa", afirma o eletricista automotivo. Para a auxiliar de nutrição, o que mais falta não é o banho, mas os bares e quiosques. "Ver o pôr do sol aqui é muito gostoso, enche de gente, mas acho que esse ano não abre mais." Em nota, a Prefeitura de São Bernardo do Campo afirma que a interdição da faixa de areia da Prainha do Riacho Grande teve início em 5 de setembro. O objetivo é impedir o acesso ao local que representa potencial de aglomeração. Segundo o texto, a GCM (Guarda Civil Municipal) e a Vigilância Sanitária do município fazem operação conjunta para impedir a entrada de pessoas no local, mas, durante a visita da reportagem, havia pessoas na areia. Também é responsabilidade da GCM fazer "rondas ostensivas", afirma a nota, para garantir a obrigatoriedade do uso de máscara. Contudo, nenhuma abordagem foi vista. A Prefeitura afirma que o uso de barcos e lanchas no local também está proibido devido à restrição de acesso à prainha.