Interditado para obras, mirante de parque no Rio tem buracos no piso e em cerca de proteção

A beleza da paisagem carioca em contraste direto com a falta de cuidado. É essa ambivalência que um dos mirantes do Parque Natural municipal do Penhasco Dois Irmãos, na Zona Sul do Rio, retrata. Com buracos no piso, cerca de proteção incompleta e, literalmente, caindo aos pedaços, o terceiro deck de observação do parque está interditado há cerca de um ano e meio e, de acordo com relatos de moradores, protegido apenas por fitas de isolamento e uma placa de alerta.

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Frequentador do parque desde os anos 1990, Sérgio Barata, de 59 anos, que mora no Leblon até hoje, viu a região ser transformada em parque municipal e se tornar um importante ponto turístico da cidade. De três anos para cá, especificamente, ele relata o abandono à estrutura do local.

– É um parque pouco conhecido e frequentado, mas nos últimos anos tem atraído turistas. O que a gente vê hoje é abandono. Tem fitas de interdição, mas as pessoas tiram. Não há um isolamento seguro do local. Corre o risco de as pessoas se machucarem, de desabar – disse Sérgio.

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Ele lembra, nas andanças pelo parque, ter cruzado com ninguém menos que Chico Buarque, quando o artista se isolava na região para escrever um de seus livros. O tempo livre era de caminhada ao ar livre.

Segundo a Secretaria municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac), responsável pela administração do local, a mobilização para realização de obras do teve início em abril deste ano. O órgão informou, por nota, que os três decks do Parque do Penhasco Dois Irmãos estão interditados e que vai notificar a empresa responsável para que providencie melhor sinalização a fim de que não haja acesso indevido ao local durante as intervenções de melhorias.

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O parque municipal fica localizado no Leblon, com acesso pela Rua Aperana, e tem cinco mirantes com vistas para a praia do próprio bairro e de Ipanema, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Cristo Redentor, localizado no Parque Nacional da Tijuca, o Jóquei Clube, parte do manto verde do Maciço da Tijuca e o Monumento Natural das Ilhas Cagarras. Ele foi criado por meio do decreto nº 11.850 de 1992 para proteger o Morro Dois Irmãos. A unidade de conservação tem 39 hectares de Mata Atlântica e passou, na década de 1990 por um longo processo de reflorestamento.

– É lamentável, uma pena. As pessoas vão lá, passeiam, embora muitas tenham receio da violência urbana. Vamos cobrar da prefeitura uma intervenção o mais rápido possível. Está perigosíssimo. Em outra parte do parque, perto do campo de futebol chegou a ter uma reforma, colocaram brinquedos, mas foi só isso – avalia Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação de Moradores do Leblon.

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De acordo com a Subprefeitura da Zona Sul, a Fundação Parque e Jardins coordena os trabalhos de revitalização dos decks. Na próxima semana, uma visita técnica será feita para avaliar as obras.

– Esta é mais uma área de lazer importante da Zona Sul carioca. Na semana que vem temos uma visita técnica agendada para verificar o andamento do trabalho e planejar outras intervenções – disse o subprefeito Flavio Valle.

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Além da vista para cartões portais do Rio, em um dos mirantes, história: em homenagem às vítimas do acidente do voo 447 da Air France, que faria o trecho Rio x Paris em junho de 2009, foi colocado um monumento criado pelo arquiteto Ricardo Villar, onde estão gravadas 228 andorinhas e a expressão “em memória” em 21 idiomas. A trilha ecológica que o parque oferece, a Janela do Céu, leva até a base do Morro Irmão Menor, em uma caminhada de 1,5km.

Um dos objetivos principais do parque é a preservação e conservação do meio ambiente, atividades de educação e interpretação ambiental, recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico. A informação consta do próprio site da prefeitura do Rio.

– É um parque fantástico. É um dos lugares mais bonitos do Rio, merece uma valorização maior do que tem recebido. Os maiores problemas que temos em segurança pública na cidade surgiram a partir de lugares abandonados, onde, sem fiscalização e manutenção, se faz o que quer. Temos de evitar isso e garantir a preservação desse espaço – disse Barata.