Interior de São Paulo concentra 70% dos casos e 59% das mortes de Covid-19 das últimas 24h

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A man has his temperature checked as others queue to enter a popular mall that has reopened for the first time since the beginning of quarantine, as the city eases restrictions imposed to curb the spread of the coronavirus disease (COVID-19), in Sao Paulo, Brazil, June 11, 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Os dados indicam que a interiorização da Covid-19 tem acontecido de forma mais contundente. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

As cidades do interior de São Paulo concentraram 70% dos casos e cerca de 59% dos óbitos registrados em decorrência do novo coronavírus nos dados apresentados na segunda-feira (6). Dos 2.891 casos confirmados no dia 6 de julho, 2.049 ocorreram em municípios do interior, que também atestaram 33 - mortes por Covid-19 das 56 registradas na segunda-feira.

Os dados foram passados nesta terça-feira (7) pelo secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, durante a coletiva de imprensa do governo de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes. Os dados, segundo o secretário, indicam que a interiorização da Covid-19 tem acontecido de forma mais contundente.

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Os 2.049 novos infectados - cerca de 70,87% do total em 24 horas - estão espalhados em 180 municípios do interior. Já as 33 mortes - 58,92% dos dados de 6 de julho - concentraram em 21 cidades. Ao todo, o estado de São Paulo tem 332.708 casos e 16.475 óbitos, com dados atualizados nesta terça.

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“Quando a gente verifica esses dados de ontem (segunda-feira) e que têm sido uma constante nesse período podemos ver a inversão dessa lógica de distribuição da população, determinando a interiorização da pandemia de forma mais contundente”, explicou Vinholi.

Com 44,6 milhões de habitantes, a população do estado está dividida em 26,6% na capital, 20,8% na Grande São Paulo, e 52,6% no interior.

“O que víamos no início da pandemia era uma curva que colocava majoritariamente na capital os casos e também os óbitos. Ficando a Grande São Paulo em segundo e o interior em terceiro. Agora, verificamos que essa curva vai se aproximando dessa lógica de população do estado com crescimento de casos e óbitos no interior e redução na capital e Grande São Paulo”, completou Vinholi.

As regiões de Campinas e Ribeirão Preto preocupam as autoridades estaduais, uma vez que sua capacidade hospitalar já está sobrecarregada e com taxas de ocupação acima de 80%. “Seguimos buscando melhorar a taxa de capacidade e reduzir a ocupação de UTIs. Essas são as duas regiões mais estressadas em sua capacidade hospitalar”, finalizou o secretário.

Com relação ao número total de casos e mortes já registrados no estado desde o início da pandemia do novo coronavírus, o interior de São Paulo ainda fica atrás das regiões da Grande São Paulo e capital, onde a Covid-19 começou a se espalhar.

A capital acumula 47,3% dos casos e 43,5% dos óbitos, liderando até agora as estatísicas somadas. Já na região metropolitana, os casos contabilizados desde fevereiro representam 27,8% e as mortes se aproximam de 20,8%. Os municípios do interior, até agora, acumularam 24,9% e 35,7% dos infectados.

VÍRUS PODE SER MAIS LETAL NO INTERIOR

O aumento dos casos do novo coronavírus no interior do Brasil tem levado os infectados a chegar aos grandes centros urbanos com prognósticos bastante negativos de recuperação. Nas últimas semanas, a curva de infecções e mortes no interior ganhou força, obrigando gestores nos estados a aumentar a oferta de leitos de UTI e os meios de locomoção de doentes.

Ao contrário de quando a epidemia se concentrava nas capitais, os doentes do interior tendem a receber tratamento inicial mais precário e demoram para entrar em atendimento intensivo, quando necessário -o que aumenta o número de óbitos.

Embora as 27 capitais brasileiras agrupem 24% da população, elas têm quase a metade dos leitos de UTIs para adultos no país. Já as unidades disponíveis no interior estão concentradas em cidades com mais de 100 mil habitantes (cerca de 300 municípios).

Isso leva a que apenas 6% das cidades do Brasil tenham leitos de UTI -e que aproximadamente 100 milhões de pessoas vivam em locais sem esse tipo de atendimento. Correm maior risco 32 milhões de brasileiros (três vezes a população de Portugal, por exemplo) que residem em 3.670 municípios com até 20 mil habitantes.

Em condições normais, a concentração de leitos não traz grandes dificuldades e acompanha outros países, embora sem as dimensões continentais do Brasil. O problema agora é que a Covid-19 se espraia com mais força e tem matado mais gente no interior.

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