'Interiorização da variante ômicron' deve ocorrer no Estado do Rio nos próximos dias, diz secretário de Saúde

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RIO — Na manhã desta quinta-feira o secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, afirmou que “nos próximos dias haverá uma interiorização da variante ômicron” para outras cidades do estado — além da Região Metropolitana — e que isso tem preocupado a pasta. Chieppe destacou que hoje a taxa de ocupação dos leitos estaduais por pacientes com Covid-19 é de 80% e, por isso, a secretaria está avaliando abrir novas vagas nos próximos dias. Além disso, o médico criticou a postura de algumas prefeituras que estão cobrando atestados médicos ou formulários de responsabilização dos pais para a vacinação de crianças contra a Covid-19.

O crescimento de novos casos de infecção pela Covid-19 tem sido acompanhado de perto dada a demanda por testagem em postos abertos pelas secretarias estadual e municipais no estado, o que tem confirmado os altos índices de resultados positivos. No momento, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES) aguarda o repasse, na próxima semana, de pelo menos 900 mil dos 3 milhões de testes rápidos pedidos ao Ministério da Saúde, segundo Chieppe. O avanço da variante ômicron tem sido acompanhado e, caso haja queda, o secretário vislumbra mudanças no cronograma do carnaval, sendo "bem provável que a cidade do Rio possa realizar desfiles técnicos em março” e " em abril, a proibição do carnaval de rua poderá ser revisto”.

— (O Ministério da Saúde vai entregar os testes) nessa semana ou na próxima. Eles nos informaram ontem (quarta-feira). Hoje, estamos abastecidos, e por isso não achamos que não terá falta. Deverão chegar 900 mil testes que serão entregues para todos os 92 municípios — destacou o secretário, durante a inauguração de mais um posto de testagem na capital.

Se não houver reposição em breve, a previsão é de que o estoque seja suficiente apenas até o fim desta semana.

— Está começando a diminuir a demanda gradativamente por testes na Região Metropolitana. Acreditamos que terá uma interiorização. Aqueles municípios do interior por terem o aumento. Agora é acompanhar no estado. Quando analisamos os casos aqui no Rio, vemos que iria ter uma interiorização. Essa curva da Região Metropolitana está caindo, mas está havendo um aumento em outras cidades — destacou o médico.

Na manhã desta quinta-feira, a SES abriu um novo ponto de testagem. Desta vez, o portão 9 do Estádio do Maracanã será o local para testes. De acordo com o secretário, nesse espaço não será necessário fazer agendamento. Basta apresentar documento de identificação. No entanto, para os demais 12 locais de testagem da rede estadual, a marcação on-line segue obrigatória. O novo centro de testes terá a capacidade de atender cinco mil pessoas por dia e vai funcionar das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira.

O chefe da SES disse que, por hora, “novas medidas de restituições estão fora de cogitação”.

— Não vemos necessidade de medidas adicionais de restrição. O carnaval foi adiado e isso nos tranquiliza. A curva deve cair em abril e por isso nos conforta. Por enquanto, o carnaval de rua está destacado. Mas, dependendo da curva, o carnaval de rua poderá ser revisto.

Atualmente, segundo a SES, existem 2.800 leitos nas unidades do estado para a Covid-19. O estado não descarta abrir novas vagas para o tratamento da doença.

— Já ativamos o Plano de Contingência e revertemos leitos para Covid, como o Hospital de Anchieta. Abrimos nessa semana 200 leitos. Se houver necessidade vamos abrir mais leitos. Hoje temos 2.800 leitos em todo estado. No entanto, estamos com uma taxa de 80% em enfermagem e UTI. Por isso, estamos financiando para os municípios a conversão para leitos de Covid que vai ajudar a manter esses leitos com a ajuda do Ministério da Saúde — disse o secretário, destacando que está preocupado com esse aumento de casos.

Sobre a vacinação infantil contra a Covid-19, que voltou a avançar após escassez de doses nos municípios fluminenses, o secretário reforçou a importância da imunização também da população na faixa etária de 5 anos a 11 anos e criticou a postura de prefeituras que querem responsabilizar os pais durante a aplicação das doses.

— O número de crianças contaminadas aumentou e por isso a necessidade de avançar na vacinação. A posição da SES é de que não é necessário que os pais se responsabilizem. A vacina é segura e eficaz e não devemos causar barreiras para isso — destacou, completando: — À medida que as pessoas se sensibilizem em vacinar as crianças, porque infelizmente ocorrem óbitos em crianças, teremos menos crianças vítimas da doença.

Por fim, Chieppe informou que as cirurgias eletivas têm a possibilidade de voltar a serem realizadas em meados de fevereiro. No entanto, as visitas a pacientes em unidades do estado não deverão retornar tão cedo.

— É possível que na segunda quinzena as cirurgias eletivas voltem dependo da curva.

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