Internações em leitos de UTI Covid no estado de SP caem pela primeira vez desde 17 de fevereiro

Cleide Carvalho
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SÃO PAULO -- Pela primeira vez desde17 de fevereiro passado, as internações por Covid-19 em leitos deUTI no estado de São Paulo registraram queda. Levantamento da InfoTracker, sistema de monitoramento criado por professores da Unesp eUSP, mostra que 12.911 pacientes estavam internados em UTI nestedomingo com suspeita ou confirmação de infecção pelo coronavírus- uma taxa de ocupação de 92%.

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A redução é de 0,98%em relação a sábado, quando o número havia atingido 12.983, orecorde desde o início da pandemia. Na sexta, foi registrado também o maiornúmero de mortes, com 1.193 óbitos em 24 horas.

Segundo o professorWallace Casaca, um dos criadores do sistema, a última vez que houvealgum tipo de redução na curva de internações em UTI no estado deSão Paulo foi entre os dias 16 e 17 de fevereiro, quando a ocupaçãode leitos neste tipo de unidade teve ligeira redução, de 6.110 para6.107.

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-- Ainda que não sejauma redução sustentada, a curva de internações do Estado jácomeça a apresentar indícios de achatamento. O total de pessoasinternadas em UTI vinha apresentando um aumento desenfreado desdemeados de fevereiro, e hoje, pela primeira vez em mais de um mês,houve redução, ainda que discreta - afirma Casaca.

Na avaliação doprofessor, os primeiros sinais de estabilidade começaram a surgir naúltima semana, com a desaceleração das infecções. Ele explicaque as internações em UTI atingiram um pico e a curva entrou emestabilidade -- período chamado platô. A expectativa é que ocorrauma redução gradual.

Para Casaca, a desaceleração pode ser atribuída às medidas mais rígidas de restrições impostas no estado, que entraram em vigor no dia 15 de março. Mas o ganho só deve permanecer, ressalva, se as medidas restritivas forem mantidas.

Entre sexta-feira e sábado, o índice de isolamento em todo o estado aumentou de 43% para 46%.

-- Se as pessoas continuarem respeitando o distanciamento social e ficarem em casa o máximo possível, vai haver um ganho e as internações vão diminuir.

Na última sexta-feira, a fase emergencial no estado de São Paulo foi prorrogada até 11 de abril. Na capital paulista, os feriados foram antecipados e o recesso termina no dia 4 de abril.

Baixada Santista tem maior alta em sete dias

As maiores taxas de ocupação de leitos de UTI no estado foram registradas em Bauru (98,51%) e Presidente Prudente (96,84%), cada uma das regionais de saúde com apenas 5 leitos disponíveis. A seguir aparecem Marília (96,68%) e Sorocaba (96,11%). A Baixada Santista, que reúne nove municípios, entre eles Santos e Guarujá, permanece como a região do estado com maior aumento de pacientes de Covid-19 em leitos de UIT no estado, com aumento de 24,37% nos últimos sete dias.

A média móvel diária de novas internações por Covid-19, que reúne a ocupação de leitos de enfermaria e UTI, que estava em alta até a última sexta-feira, também registrou ligeira redução. Passou de 3.398 novas internações no dia 26, para 3.383 no dia 27 e 3.350 neste domingo - uma redução de 0,98% em relação ao dia anterior.

Segundo a Secretaria de Saúde do estado, 31.216 pessoas seguem internadas, em enfermaria e UTI. Desde o início da pandemia, São Paulo registra 71.991 óbitos. O aumento das infecções de fevereiro para cá levaram o governo a estabelecer a Fase Emergencial do Plano São Paulo, que foi prorrogada até o dia 11 de abril.

o município de São Paulo, que iniciou sexta-feira um período de antecipação de cinco feriados para conter a escalada da doença, tem neste domingo 38 pacientes em leitos UTI Covid a menos que no sábado - 5.012 estão ocupados Houve aumento de 7,6% nos últimos sete dias, superior à média do estado no período, que cresceu 6,96%