Internações por Covid-19 voltam a crescer na cidade de SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 14 dias, a cidade de São Paulo registrou aumento de 33,5% na quantidade de pessoas internadas por Covid-19 em hospitais da rede municipal de saúde.

Dados dos boletins produzidos pela Secretaria Municipal da Saúde, gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), indicam que no dia 1º de setembro 388 pacientes estavam internados, sendo 204 em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 184 em enfermaria. Na terça (14), dados mais recentes disponíveis, passaram a 518 sendo 281 em UTI e 237 em enfermaria.

A prefeitura confirmou em nota o aumento nas internações, mas disse que a evolução não é significativa.

Segundo os documentos, houve avanço de 37,7% na quantidade de pessoas internadas em UTI, e de 28,8% em enfermaria.

Juntos, quatro hospitais somam 71,5% do total de internações em UTIs: Brasilândia, na zona norte (88), Guarapiranga, na zona sul (52); Tide Setúbal, na zona leste (61); e Bela Vista (centro), com 30. A concentração é reflexo da decisão da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), de reduzir de 24 para 5 os hospitais de referência para atendimento de Covid na cidade de São Paulo.

A taxa de ocupação de UTI também subiu, passando de de 37% para 49% nos dias comparados. Desde 1º de setembro, a prefeitura vem mantendo 573 leitos na rede municipal, número 27,4% inferior aos 790 mantidos até então.

No geral, no mesmo período, houve queda na quantidade de pessoas internadas no estado. No dia 1º deste mês, um total de 6.197 pessoas estavam em leitos de UTI ou de enfermaria, número que passou para 5.413 na terça (14), numa queda de 12,6%.

"Esse mesmo comportamento foi observado em junho de 2021, ocasião em que o interior do estado vivenciou um de seus piores momentos em termos de ocupação hospitalar. Naquela ocasião, a Grande São Paulo arrastava o dado estadual para baixo, mesmo quando tínhamos recordes de internações no interior", afirma Wallace Casaca, coordenador da plataforma SP Covid-19 Info Tracker, criada por pesquisadores da USP e da Unesp com apoio da Fapesp para acompanhar a evolução da pandemia.

"Agora, a situação se inverteu: no somatório das internações do estado, quem traga o dado para baixo é o interior, enquanto a Grande São Paulo se eleva", complementou.

Para o médico Alexandre Naime Barbosa, chefe do setor de infectologia da Unesp de Botucatu (238 km de SP) e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a cidade de São Paulo tem um sistema populacional que permite um maior ambiente de transmissão em relação aos municípios menores. "Pode ser um alerta para o resto do estado, mas está relacionada a alta densidade populacional, transporte urbano, eventos, indústria e comércio. É preciso ficar alerta", afirmou.

Delta Dados divulgados no dia 10 deste mês pelo governo estadual indicam que 1.409 casos registrados da variante delta no estado, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Na capital paulista, por exemplo, a variante já é responsável por 80% dos casos, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da USP, afirma que a elevação na quantidade de pessoas internadas já era esperada justamente pela circulação da variante delta. "Ela [variante] chegaria em setembro com um aumento preocupante. Acho que ainda não temos um número alto e vamos ter mais", afirmou.

O especialista prevê que o interior poderá sentir os reflexos dessa elevação já em outubro próximo.

No dia 10 deste mês, o próprio coordenador-exeutivo do Comitê Científico do governo João Doria (PSDB), João Gabbardo, havia adiantado que havia uma tendência de aumento do número de internações.

Barbosa lembra que a variante delta já está circulando em todo o estado. A maior preocupação é em relação as pessoas mais idosas. "É por isso que precisamos avançar o quanto antes na terceira dose entre os idosos. É uma pauta primordial neste momento", afirma.

Segundo Casaca, mais do que nunca se torna fundamental a testagem. "Em vista da prevalência da delta na capital, do grande salto de internações na região e dos sintomas, similares a um resfriado, será necessário redobrar a atenção e as ações de prevenção, o que inclui uma política mais agressiva de testagem a fim de detectar com mais eficiência e agilidade casos sintomáticos e assintomáticos da doença", afirma.

Em comum, Boulos e Barbosa dizem que as internações, sobretudo em UTI, não devem ser acentuadas. Isso se dá por dois motivos: a alta taxa de pessoas já expostas a variantes anteriores do vírus, e o avanço da vacinação.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que monitora a presença da variante delta na cidade de São Paulo. "Não há impacto sobre o sistema de saúde municipal. A variação dos números, até o presente momento, não é significativa", informa a secretaria.

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