Internações por síndromes respiratórias graves crescem 606% em 2020; Covid-19 é responsável por 25% delas

Leandro Prazeres e Renata Mariz

BRASÍLIA - As internações por síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) cresceram 606% nas primeiras 18 semanas epidemiológicas de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira. Ao todo, foram contabilizadas 107.895 hospitalizações por esse tipo de síndrome no Brasil. Desse total, 25% delas foram causadas pela Covid-19. Os números da Covid-19, no entanto, podem ser ainda maiores pois há pelo menos outros 38 mil casos ainda sob investigação.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, nas 18 primeiras semanas epidemiológicas monitoradas pelo órgão, foram registradas 15,2 mil hospitalizações por SRAG.

O boletim divulgado pelo ministério mostra que o volume de hospitalizações por SRAG no Brasil em 2020 vinha se mantendo levemente mais alto que o registrado no ano anterior até a 10ª semana epidemiológica.

A partir da semana seguinte, que começou no dia 8 de março, houve uma explosão de internações. Enquanto em 2019, naquela semana, as internações totalizaram 938, em 2020, na mesma semana, o número de internações foi de 4.217, mais de quatro vezes maior.

Na semana seguinte, o aumento foi ainda maior: 1.061 na 12ª semana de 2019 contra 10.895 em 2020.

O boletim divulgado pelo Ministério da Saúde mostra também que uma em cada quatro internações por SRAG em 2020 foi causada pela Covid-19. Das 107.895 internações registradas, 27 mil foram pelo novo coronavírus.

As internações causadas por influenza totalizaram 1.310. Numa comparação entre as duas doenças, o número de internações causadas pela Covid-19 é quase quase 2000% maior que as causadas por influenza.

Governo promete diretriz sobre isolamento na semana que vem

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que o ministro Nelson Teich deve apresentar as diretrizes sobre distanciamento social na próxima segunda-feira. Teich prometeu apresentar as orientações há cerca de 15 dias. Na semana passada, afirmou que temia polarização política em torno do tema e que iria submetê-lo primeiro a gestores locais.

O assunto é espinhoso porque o presidente Jair Bolsonaro se opõe a distanciamento social ampliado. Ele prega, mesmo com o avanço da pandemia no país, que as pessoas retornem às atividades como forma de preservar emprego e renda. Teich, por sua vez, ao ser cobrado sobre o tema, já disse que em alguns locais poderá ser necessário usar o tipo de isolamento mais rígido, o chamado "lockdown".