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Internação de Bolsonaro reativa Adélio Bispo e dá o tom de como será 2022

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Em seis de setembro de 2018, um atentado a faca contra o então candidato a presidente Jair Bolsonaro mudou os rumos das eleições daquele ano. Sobrevivente, o ex-deputado ganhou os holofotes sem precisar se desgastar em debates e entrevistas, nas quais costumava se sair mal devido à falta de traquejo –e ideias, para dizer o mínimo.

Não era pouco para quem concorreu naquele ano com tempo escasso de TV e um partido ainda nanico.

Três anos e meio se passaram. E 2022, ano em que Bolsonaro tenta a todo custo se reeleger, trouxe de volta ao noticiário o fantasma de Adélio Bispo, o autor da facada preso no ato em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Bolsonaro começou o ano curtindo férias no Sul do país. Ganhou destaque no noticiário por desdenhar da tragédia que acontecia na Bahia, onde chuvas intensas causaram mortes, deslizamentos, remoções e o colapso no sistema de transporte. Ele chegou a dizer que não gostaria de interromper os dias de descanso e recusou uma oferta de ajuda feita pela Argentina, governada por um líder da esquerda. A exemplo de sua postura diante da pandemia, conseguiu apenas reforçar o título de líder insensível ao sofrimento da própria população.

A internação mudou o foco das críticas.

A imagem do presidente convalescente fez familiares e apoiadores a levarem a palavra “atentado” aos assuntos mais falados no Twitter.

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Entrance of Vila Nova Star Hospital, where Brazil’s President Jair Bolsonaro was hospitalised due to a bowel obstruction, in Sao Paulo, Brazil, January 3, 2022. REUTERS/Carla Carniel
Entrada da Vila Nova Star Hospital, onde Jair Bolsonaro foi hospitalizado após passar mal no fim de semana. Foto: Carla Carniel/Reuters

Desde 2018 o clã tenta associar a facada a uma grande conspiração de opositores, apesar de a própria Polícia Federal já ter concluído que Adélio Bispo agiu sozinho. Em público, Bolsonaro costuma contestar essa versão –e, no apagar das luzes de 2021, o delegado responsável pelo inquérito, Rodrigo Morais Fernandes, foi transferido para atuar em uma nova função fora do país.

Pelo Twitter, Bolsonaro informou que novos exames vão determinar se uma nova cirurgia será realizada –essa hipótese, a princípio, está descartada.

“É a segunda internação com os mesmos sintomas, como consequência da facada (06/set/18) e 4 grandes cirurgias”, escreveu o presidente.

A situação, porém, pode ser um pouco mais simples do que sugerem as teorias da conspiração e os fantasmas de eleições passadas: Bolsonaro, um homem de 66 anos, é um dos muitos brasileiros que abusaram no fim de ano e começaram 2022 debilitados. As fotos das andanças de jet ski, regabofes e dancinhas em alto mar indicam que a conta da festança chegou. Bolsonaro não tem mais 20 anos –nem é imorrível nem imbroxável como quer fazer parecer.

O caso dele, claro, é agravado por um quadro de saúde debilitado desde o atentado. O que requer mais cuidado do que o demonstrado para deleite dos apoiadores.

Mesmo assim ele não foi poupado ao longo do dia pelos adversários, que já elaboram memes dizendo que viveu o fim de ano loucamente e quer agora um atestado para não precisar trabalhar no primeiro dia útil do ano.

A beligerância nas redes sociais, contrastadas com pedidos de empatia com quem não costuma ter empatia pela própria população, dá a dimensão de como será o ano eleitoral. O spoiler veio nas primeiras horas de 2022.

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