Internados em UTI mais que dobram em São Paulo na comparação com 1ª onda

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Unconscious and intubated Covid-19 patients are treated in Sapopemba Hospital's ICU, in the same neighborhood of Sao Paulo, on June 21, 2020. According ta a study published in June 21st, Brazil's public hospitals, like Sapopemba, had almost 40% death rates from the new coronavirus, the double from private hospitals. Sapopemba is one of the neighborhhods in Sao Paulo with highest number of deaths from Covid-19 (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
São Paulo registrou um recorde de 12.975 pacientes em leitos de UTI por conta do novo coronavírus. (Foto: Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
  • Com 12,9 mil internados em UTI, São Paulo mais que dobra o número do pico em 2020

  • Em julho do ano passado, eram 6,2 mil pacientes nos leitos intensivos

  • Entre novembro e março, 80% dos pacientes intubados morreram nas UTIs do Brasil

O número de pacientes internados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) no estado de São Paulo mais que dobrou em relação ao pico da primeira onda pandemia da Covid-19, ainda em 2020. 

As unidades de saúde de São Paulo registraram, nesta quarta-feira (31), um recorde de 12.975 pacientes em leitos de UTI por conta do novo coronavírus. Esse número representa um aumento de 107,6% em relação ao ápice da primeira onda, registrado em julho do ano passado, quando havia 6.250 pacientes nos leitos intensivos.

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Os dados foram divulgados durante a coletiva de imprensa do governo João Doria (PSDB), no início da tarde desta quarta, no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista.

"Comparativamente, o que nós temos hoje em número de pacientes nas UTIs, 12.975, se nós compararmos ao pico da pandemia lá atrás, na 29ª semana epidemiológica, em julho, nós tivemos um aumento de 107,6%. Eram 6.250. Portanto, mais do que dobramos esse número de internados", destacou o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn.

80% dos pacientes intubados no Brasil com Covid morrem na UTI

Entre novembro de 2020 e março deste ano, oito em cada dez pacientes com Covid-19 intubados em unidades de terapia intensiva (UTIs) do Brasil morreram, segundo dados do Ministério da Saúde compilados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A taxa de mortalidade de pacientes internados no país, de 83,5%, é uma das maiores do mundo.

Especialistas dizem que a alta taxa de mortalidade é reflexo da ausência de profissionais treinados, além de problemas de gestão e justamente da longa espera por leitos nos hospitais, agravada pela escalada da doença.

Os dados sobre a mortalidade vêm do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) e foram compilados por pesquisadores da Rede Brasileira de Pesquisa em Medicina Intensiva, coordenada por Fernando Bozza.

Um outro estudo do grupo, publicado na revista The Lancet Respiratory Medicine, já havia revelado que as taxas brasileiras de morte de pacientes intubados com Covid-19 entre março e 15 de novembro de 2020 era de 77,8%. O número já era superior, no período, ao do Reino Unido (69%), Itália (51,7%), Alemanha (52,8%) e México (73,7%).

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