Internet móvel é restabelecida em Cuba, mas sem acesso às redes sociais

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Rua de Havana com o Capitólio de fundo

O serviço de Internet móvel começou a se restabelecer nesta quarta-feira (14) pela manhã em Cuba, depois de três dias de interrupção após as históricas manifestações de domingo, mas era impossível acessar as redes sociais e os aplicativos de mensagens instantâneas com dados móveis, observou a AFP.

O acesso ao WhatsApp, Facebook e Twitter, através das tecnologias 3G ou 4G, ainda estava bloqueado, mas era possível entrar na rede de forma instável. Na rua, as pessoas conseguiam se conectar de forma intermitente.

As redes sociais desempenharam um papel mobilizador neste domingo nos primeiros protestos, e têm espalhado muitas informações, parte negada pela mídia estatal da ilha.

“As redes sociais são totalmente agressivas, apelando ao assassinato, apelando ao linchamento, o ataque a pessoas e em particular a pessoas identificadas como revolucionárias”, disse o presidente Miguel Díaz-Canel em reunião reportada pelo Noticiário da Televisão Nacional.

Acrescentou que “esse discurso que tentam fazer (nas redes) que o governo cubano reprime (...) é uma total mentira e calúnia” e os acusou de praticar “terrorismo midiático”.

"É verdade que faltam dados [móveis], mas faltam medicamentos também", respondeu na terça-feira o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, ao ser questionado sobre o assunto.

Rodríguez acusou os Estados Unidos de realizarem uma campanha no Twitter com a hashtag #SOSCuba para incentivar o mal-estar social na ilha.

Whashington pediu na terça-feira o rápido restabelecimento de "todos os meios de comunicação, os digitais e os não digitais".

"Fechar o acesso à tecnologia, fechar os canais de informação, isso não faz nada para responder às necessidades e legítimas aspirações do povo cubano", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Nesta quarta-feira, a calma reinava nas ruas de Havana, mas a presença policial e militar foi reforçada consideravelmente ao redor do Capitólio, sede do Parlamento, observou um repórter da AFP.

Na região, pela qual marcharam no domingo milhares de cubanos aos gritos de "temos fome" e "abaixo a ditadura", estavam estacionados vários caminhões e patrulhas da polícia. Novas convocações de manifestações na área do Capitólio circularam nas redes sociais na terça-feira.

Um homem morreu e mais de cem pessoas foram detidas durante os protestos de domingo e segunda-feira contra o governo, que nega "uma crise social" em meio às críticas de Washington.

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