Interventora pede à direção do PT expulsão do candidato do partido em João Pessoa

JOSÉ MARQUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A secretária de organização do PT, Sonia Braga, entrou com uma representação na comissão executiva nacional do partido para pedir a expulsão do candidato petista à Prefeitura de João Pessoa, o deputado estadual Anísio Maia. Sonia também é integrante da comissão interventora do PT no diretório da capital paraibana. Embora Anísio esteja disputando a eleição pelo partido, nacionalmente o PT decidiu apoiar em João Pessoa o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), inclusive repassando R$ 60 mil à candidatura dele. Isso gerou uma disputa judicial. Atualmente, por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o diretório municipal da legenda está sob o comando dos interventores. No entanto, a candidatura de Anísio continua válida. Na representação, Sonia afirma que o deputado teria ferido "a disciplina, a fidelidade e a ética partidária" e, além da expulsão, pede o cancelamento do registro de candidatura. "Ao insistir em ser candidato de si mesmo, o deputado estadual Anísio Maia sequestra o tempo reservado ao PT no horário eleitoral para dividir o campo progressista em João Pessoa, tornando-se instrumento da direita", diz ela. Também diz que ele se tornou adversário do próprio partido ao questionar as deliberações partidárias na Justiça Eleitoral e "extrapolou todos os limites ao, de forma totalmente irresponsável, utilizar a gravação de um depoimento antigo, editado e fora de contexto, para simular o apoio do presidente Lula". Ela junta na representação uma propaganda eleitoral em que Anísio se diz vítima e afirma que tentaram forçar o seu afastamento por meios antidemocráticos e autoritários. Procurado, ele afirma que a secretária nacional do PT é uma "burocrata" e "certamente uma pessoa que não conhece a vida do PT nos estados". "Esse pedido de expulsão certamente não vai lograr êxito. Se for pra expulsar uma pessoa que defende e segura uma candidatura própria, vai ser uma coisa incoerente. O PT precisa crescer, precisa ter visibilidade, precisa ter gente defendendo sua proposta", afirma Anísio. "E mais: eu sou candidato porque me pediram para ser candidato, não sou candidato de mim mesmo. Foi uma delegação do diretório nacional que veio à Paraíba dizendo que a gente tinha que ter candidato. Depois, eu participei de uma reunião com a alta direção do PT, inclusive com Lula, e com vários candidatos estratégicos dos municípios para organizar nossas campanhas", acrescenta. "Então, eu não fiz nada contra a orientação do partido, o partido é que mudou de ideia depois. De última hora veio com um candidato no bolso de colete. Portanto, a minha candidatura é legítima."