Intolerância política gera tensão nos policiais ligados à esquerda

Policiais ligados à esquerda temem crescimento do autoritarismo. (Foto: Getty Creative)
Policiais ligados à esquerda temem crescimento do autoritarismo. (Foto: Getty Creative)

O assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu (PR), na semana passada, trouxe um receio ainda maior nas corporações de segurança pública. Antes de ser morto com dois tiros em sua festa de aniversário de 50 anos por um policial penal bolsonarista, ele proferiu em uma palestra que os agentes de segurança seriam as “primeiras vítimas” da intolerância política.De acordo com reportagem do UOL, Arruda alegou que em um eventual aumento de autoritarismo, os polícias ligados à esquerda seriam eliminados para não repassar o conhecimento estratégico a uma resistência autoritária.

Agentes com posições mais à esquerda do espectro político afirmam que o bolsonarismo está muito presente nas corporações e relataram que há um clima de tensão no trabalho.

Pedro Chê, policial civil e líder do movimento de policiais antifascistas no Rio Grande do Norte, disse que policiais de esquerda são sobreviventes e são vistos como traidores já que se posicionam a favor de direitos humanos, por exemplo. Ele comanda hoje parte de uma liga nacional de policiais que buscam se desvencilhar de estereótipos aplicados aos profissionais de esquerda. De acordo com Chê, a tarefa tem sido vitoriosa porque parte dos policiais que votaram em Bolsonaro em 2018, pensam em mudar o voto dessa vez. Ele enxerga uma nova possibilidade nas eleições deste ano, mesmo com parte desses agentes escolhendo a terceira via política.

Apesar de o presidente prometer melhorias para a categoria, Chê disse que isso não se concretizou fazendo com que os colegas deixassem de apoiá-lo. Além disso, segundo o policial, Bolsonaro se esforçou para agradar somente agentes de castas superiores, como os das Forças Armadas.

O cabo reformado Moreno Sérgio, da PM (Polícia Militar) do Maranhão, diz que os ataques de Bolsonaro e seus aliados contra a esquerda enfurece os policiais e que ele e outros colegas tentam demonstrar que a estrutura bolsonarista demanda uma polícia atrasada e agressiva. Ele ainda pondera que a morte de Arruda pode acabar não sendo a única já que o clima de tensão deve aumentar até outubro.

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