Invasão de abelhas a prédio no Leblon assusta moradores: 'Eram pelo menos mil, fiquei desesperada'

Moradores de um prédio no Leblon, na Zona Sul do Rio, foram surpreendidos pela invasão de um enxame de abelhas no início da tarde desta terça-feira. Os insetos chegaram a entrar em um apartamento no quinto andar do edifício, situado na Rua Conde de Bernadotte, e perseguiram uma mulher que estava no local. Até o momento, não há informações sobre pessoas picadas.

O imóvel invadido pertence à funcionária dos Correios aposentada Maria Aparecida Teixeira Gomes, de 68 anos. No momento em que as abelhas entraram por uma janela e uma varanda em um dos quartos, somente a idosa, uma diarista e dois cachorros estavam na residência.

— A menina que trabalha comigo veio correndo de dentro do meu quarto, em pânico. Tinha abelha atrás dela, no cabelo, no corpo. Ela correu se batendo toda e conseguiu entrar no banheiro, onde se protegeu. Não sei como ela não foi picada. Fui até lá com todo o cuidado para tentar fechar a porta do quarto e deviam ser pelo menos mil abelhas, eu juro. Fiquei desesperada — conta Maria Aparecida.

A aposentada conta que acionou um funcionário do prédio, que relatou que havia várias abelhas na direção de outros apartamentos da mesma coluna. Do play do edifício, segundo ele, era possível ver os insetos diante das residências. "Pavoroso, isso aqui", informou o empregado em um áudio enviado aos moradores. "Vixe Maria, não vou ficar aqui não. Abelha é muito perigoso", continuou.

— Liguei para os bombeiros e disseram que não podiam fazer nada. A prefeitura só falou que é para chamar um apicultor particular. Agora, estou aqui procurando o contato de alguém que possa nos socorrer — contou a idosa.

Segundo Katia Aleixo, bióloga da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), os insetos eram da espécie "africanizada", que possuem ferrão e têm por hábito atacar quando se sentem ameaçadas. Por isso, é fundamental manter distância sempre que um enxame for avistado.

— A primeira coisa é se afastar e tentar não fazer barulho ou movimentos bruscos. É um tipo de abelha criada por apicultores, para produzir o mel que a gente consome, mas elas têm ferrão e podem avançar como ferramenta de defesa. O indicado é, realmente, buscar ajuda especializada o quanto antes, pois só esse profissional terá equipamentos e técnica para fazer o trabalho do modo adequado — afirma Aleixo, que continua: — Algumas pessoas são muito alérgicas, então uma única picada pode causar um choque anafilático. Outras toleram mais. Depende da fisiologia da pessoa, da idade (mais velhos e crianças são mais sensíveis, por exemplo). De qualquer forma, é um perigo concreto.

Ainda de acordo com a bióloga, o mais provável é que o grupo de abelhas que chegou ao prédio tenha se dividido a partir de um outro enxame, que se tornou muito grande. Quando isso ocorre, parte dos insetos sai em busca de um novo local para se estabelecer. Aleixo explica que não necessariamente as abelhas fariam um ninho no apartamento de Maria Aparecida, sendo mais provável que estivessem no processo de locomoção, em um fenômeno conhecido como "enxame de passagem". No fim da tarde, ainda sem que um apicultor fosse localizado, a quantidade de insetos no apartamento da aposentada já havia, de fato, diminuído consideravelmente.

— O mais importante é não tentar colocar veneno, jogar algum produto ou até atear fogo, como se faz em muitos lugares. Além de a pessoa estar se colocando em risco, matar abelhas é, inclusive, considerado crime — frisa a bióloga.

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