Invasão do Capitólio deixa 4 mortos e ao menos 52 presos, diz polícia de Washington

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WASHINGTON — Ao menos quatro pessoas morreram e 52 foram presas em Washington na quarta-feira, após apoiadores do presidente Donald Trump, insuflados por sua retórica, tomarem o Capitólio para impedir que o Congresso certificasse a vitória do presidente eleito Joe Biden, a última etapa antes da posse no próximo dia 20.

Três pessoas morreram por emergências médicas e uma mulher foi baleada, enquanto 14 policiais ficaram feridos e dois continuam hospitalizados. Diante de temores de que novos distúrbios possam acontecer nos 13 dias restantes de governo, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, prorrogou o estado de emergência até 21 de janeiro. A capital está sob toque de recolher entre 18h e 6h.

Em entrevista coletiva, o chefe de polícia da capital americana, Robert Contee, confirmou que a mulher foi baleada pela polícia do Congresso. Defensora fiel do presidente Trump, ela foi identificada pela imprensa como Ashit Babbitt, veterana da Força Aérea que viajou de San Diego a Washington para participar do ato pró-Trump.

— Agentes da polícia do Capitólio enfrentaram os invasores e, em um certo momento, um deles fez uso de sua arma de serviço — afirmou Contee, dizendo ainda que uma investigação foi aberta para apurar o que chamou de "acontecimento trágico".

Segundo Contee, 14 policiais ficaram feridos. Um deles foi arrastado pela multidão, agredido e está internado. Outro sofreu lesões faciais após ser atingido por um projétil e também permanece no hospital. Das 52 prisões realizadas, quatro foram por porte de armas sem licença, uma por posse de armamento proíbido e as outras 47, por violações do toque de recolher.

Apenas 26 detenções, no entanto, foram realizadas pela polícia dentro do Capitólio, que foi tomado por centenas de pessoas. Na madrugada desta quinta, o FBI emitiu um apelo público para dicas que possam ajudar a identificar os invasores, criando um site de denúncia e uma linha telefônica.

O chefe de polícia confirmou, ainda, que duas bombas caseiras foram encontradas nas sedes dos comitês nacionais dos partidos Republicano e Democrata. Nos arredores do Congresso, confiscaram ainda um caminhão com coquetéis molotov. Varias pessoas foram presas por carregar armas de fogo sem a licença necessária.

As táticas da polícia para conter os invasores, que organizavam havia semanas o ato na capital, foram postas em xeque: na internet, circulam imagens de policiais tirando selfies com invasores, por exemplo.

Os defensores do presidente foram filmados — e se filmaram — entrando no gabinete dos deputados e subindo ao pódio que, minutos antes, era ocupado pelo vice-presidente Mike Pence. Em sites e fóruns populares entre os seguidores do presidente, majoritariamente pessoas brancas, há ainda uma infinidade de discussões sobre os planos.

Ativistas questionam, em particular, qual seria o tratamento dispensado se os invasores fossem negros. Para conter os protestos do movimento Vidas Negras Importam, foi composta, sob ordens de Trump, uma força-tarefa com 5 mil membros da Guarda Nacional, além de policiais locais e federais.

Balas de borracha e gás lacrimogêneo foram usados para dispersar um ato pacífico apenas para que Trump pudesse fazer uma visita encenada à Igreja Episcopal de São Paulo, perto da Casa Branca. Em um dia, 300 pessoas foram presas.

Desta vez, mesmo sabendo que a mobilização era organizada por grupos de extrema direita em que o porte de armas é algo corriqueiro, apenas 340 integrantes da Guarda Nacional, composta por reservistas, foram deslocados antecipadamente após um pedido da prefeita Bowser. Segundo o New York Times, Trump resistiu a enviar reforços, fazendo-o apenas diante da insistência do secretário de Defesa interino, Christopher Miller.