Invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, também teve obras avariadas; prejuízo ultrapassou R$ 157 mi

Há dois anos, no dia 6 de janeiro de 2021, um numeroso grupo de apoiadores do ex-presidente americano Donald Trump invadiu o Capitólio, principal símbolo do poder político dos Estados Unidos, em Washington. O motivo seria uma suposta fraude — nunca provada — nas eleições em que Trump perdera para Joe Biden. A invasão durou cerca de três horas, mas foi o suficiente para causar prejuízos severos ao patrimônio americano.

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Além de portas, janelas e móveis que foram vandalizados, obras de arte também não escaparam da barbárie dos invasores. Entre os itens listados no prejuízo, um pergaminho chinês histórico foi rasgado, um busto de mármore do ex-presidente Zachary Taylor, datado do século XIX, ficou manchado de sangue, e uma foto de Dalai Lama foi roubada. Por sorte, obras mais importantes do edifício, como a pintura "Declaração de Independência", de John Trumbull, ou o busto de bronze de Martin Luther King Jr. permaneceram intactos.

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À época, a imprensa noticiou que os custos com os vidros quebrados, portas, móveis e pichações, além do restauro de obras de arte, passaria dos US$ 30 milhões — cerca de R$ 157 milhões na cotação atual.

“Estátuas, murais, bancos históricos e venezianas originais sofreram vários graus de dano. Esses danos às nossas preciosas obras de arte e estátuas exigirão limpeza e conservação especializadas”, afirmou J. Brett Blanton, membro da equipe responsável pela restauração do Capitólio, em audiência na Câmara dos EUA, depois do ocorrido.

No Brasil, as autoridades ainda contabilizam o prejuízo causado pelo ataque terrorista aos edifícios públicos como o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, neste domingo (8). Já foram encontradas diversas obras avariadas pelos golpistas, como uma tela de Di Cavalcanti, um relógio doado a D. João VI pela corte de Luís XIV, uma escultura de Victor Brecheret, o vitral 'Araguaia', de Marianne Peretti, e a escultura "Justiça", de Alfredo Ceschiatti, entre outras peças.

— O valor do que foi destruído é incalculável por conta da história que ele representa — afirmou ao GLOBO Rogério Carvalho, diretor de Curadoria dos Palácios Presidenciais. — O conjunto do acervo é a representação de todos os presidentes que representaram o povo brasileiro durante este longo período que começa com JK. É este o seu valor histórico. Do ponto de vista artístico, o Planalto certamente reúne um dos mais importantes acervos do país, especialmente do Modernismo Brasileiro.