Inverno ameaça milhões de ucranianos após bombardeios russos contra instalações de energia

A vida de milhões de ucranianos corre perigo neste inverno, após a Rússia bombardear as infraestruturas de energia do país, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (21).

A Rússia bombardeou nas últimas semanas as instalações de energia da Ucrânia, deixando milhões de lares sem eletricidade, coincidindo com as primeiras nevascas do ano.

Os danos à infraestrutura de energia "já estão tendo efeitos mortais no sistema de saúde e na saúde das pessoas", declarou Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa.

Este inverno representará "uma ameaça para a vida de milhões de pessoas na Ucrânia", alertou.

Kluge detalhou que até três milhões de pessoas poderão ser obrigadas a abandonar seus lares em busca de segurança e calor.

"Terão de enfrentar desafios de saúde, incluindo infecções respiratórias como covid-19, pneumonia, gripe", alertou, insistindo, ainda, no "grave risco de difteria e sarampo para uma população insuficientemente vacinada".

Os ataques contra a rede elétrica ucraniana acontecem após uma série de derrotas russas no campo de batalha, que resultaram na retirada das forças de Moscou da cidade de Kherson, no sul da Ucrânia.

Após a retirada das forças russas desta cidade, capital da região homônima, a prefeitura anunciou ter descoberto "locais de torturas" usados pelos russos.

- "Locais de tortura" -

"Em Kherson, os promotores continuam investigando os crimes da Rússia", informou nesta segunda-feira o gabinete do promotor ucraniano no Telegram. Autoridades encontraram "locais de tortura" em "quatro prédios", acrescentou.

Entre os quatro edifícios visitados pelos investigadores, existem "centros de detenção provisória" anteriores à guerra, "onde, durante a tomada da cidade, os ocupantes detiveram pessoas ilegalmente e as torturaram brutalmente", disse a promotoria.

Kherson foi a primeira cidade tomada pelos russos após a invasão em 24 de fevereiro. O exército ucraniano reconquistou a cidade em 11 de novembro.

A retirada russa representa um duro golpe para o presidente Vladimir Putin.

Os investigadores apreenderam "pedaços de bastões de borracha, um bastão de madeira, um dispositivo usado pelos ocupantes para eletrocutar civis, uma lâmpada incandescente e balas", acrescentou o Ministério Público.

Desde que recuperou a cidade, Kiev denunciou várias situações de "crimes de guerra" e "atrocidades" cometidas pelos russos na região, uma das quatro que Moscou anexou em setembro.

- "Punir" -

A Rússia não comentou essas acusações até o momento, mas prometeu nesta segunda-feira "punir" os responsáveis pela suposta execução de um grupo de soldados russos na Ucrânia, denunciado por Moscou como um "crime de guerra".

A Rússia acusou a Ucrânia na sexta-feira de executar mais de 10 de seus soldados que depuseram as armas, com base em vídeos postados nas redes sociais.

"É claro que a Rússia irá procurar os autores deste crime. Devem ser encontrados e punidos", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acrescentando que Moscou irá recorrer às instâncias internacionais.

No primeiro vídeo, cerca de dez soldados supostamente russos emergem um após o outro de um galpão com as mãos para cima. Eles então se deitam de bruços no chão sob o comando de soldados aparentemente ucranianos que os mantêm sob a mira de uma arma.

A gravação é interrompida abruptamente quando outra pessoa sai do galpão e parece atirar. Outro vídeo gravado por um drone mostra o mesmo local com uma dezena de corpos de soldados caídos no chão, em meio a poças de sangue.

A comissão do Parlamento ucraniano sobre direitos humanos rejeitou no domingo que o exército ucraniano tenha executado prisioneiros de guerra russos.

De acordo com esta comissão, os soldados ucranianos se defenderam de soldados russos que simulavam uma rendição.

Os militares russos assassinados no incidente "não podem então ser considerados como prisioneiros de guerra", argumentou Dmytro Lubynets, responsável ucraniano por assuntos de direitos humanos.

As Nações Unidas disseram na semana passada que estavam cientes dos vídeos e que os estavam analisando. Um relatório observou que havia alegações confiáveis de abusos cometidos por ambas as partes.

bur/lpt/sag/eg/am/mvv