‘Inverno cripto’ não afeta patrocínios esportivos no Brasil

O mercado das criptomoedas vem sofrendo grande abalo nos últimos dias, com fortes quedas de ativos como o bitcoin (70%), entre outras moedas digitais. O chamado “inverno cripto” colocou empresas em crise e respingou também no cenário esportivo, especialmente no norte-americano. No Brasil, a onda ainda não é de pessimismo.

Nos EUA, o caso mais conhecido é o da FTX. A empresa, que anteriormente tinha pago 135 milhões de dólares pelos naming rights da arena do Miami Heat, segundo o jornal New York Post, desistiu de acordos de patrocínio com o Washington Wizards, da NBA, e o Los Angeles Angels, da MLB (liga de beisebol), por conta das perdas causadas pelas baixa das criptomoedas.

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Segundo matéria do New York Post, as franquias norte-americanas pediam valores mais altos de patrocínio para empresas de criptomoedas porque proprietários de arenas e equipes tinham lembranças ruins da chamada “bolha da internet”. Em 2001, dois grandes estádios — o PSINet Stadium, de Baltimore, e o CMGI Field, de Boston — tiveram que ser rebatizados depois que as empresas que lhes davam os naming rights faliram.

Os abalos no mercado e a crise da FTX geraram um temor de que outros cortes de patrocínios possam se repetir no esporte.

No Brasil, empresas que patrocinam equipes da Série A prometeram manter seus contratos. Algumas, como a Mercado Bitcoin, vão além: planejam ampliar seu investimento em publicidade no esporte, com inovações, como a criação de um clube, que terá nome, cores e escudo escolhido pelos clientes da empresa e inicialmente disputará torneios de juniores, como a Copa São Paulo de 2024.

— Eu acredito muito na estratégia do esporte. É um ponto de contato onde a pessoa recebe a satisfação, ela está assistindo ao time dela, no momento de lazer com a família. A estratégia do esporte é presente no Mercado Bitcoin e ela não vai ser descartada — diz Sergio Veiga, diretor de patrocínios da empresa.

— Vamos manter todos os contratos que temos. A gente tem contrato com o Vasco até outro ano, Corinthians até o final do ano. Manter os contratos é uma prerrogativa do Mercado Bitcoin.

A Crypto.com, que patrocina competições como Libertadores e Copa Sul-Americana, respondeu, através de comunicado, que promete investir recursos também em parcerias esportivas, como forma de “acelerar a transição do mundo para a criptomoeda”.

Postura semelhante teve a Bitso, que patrocina o São Paulo e diz que também pretende seguir investindo.

— É um mercado prioritário — disse Antonio Mota, porta-voz da empresa.

Segundo ele, as oscilações no mundo das criptomoedas podem gerar alterações nos planejamentos:

— É um mercado dinâmico, que está em constante evolução. Isso faz com que as empresas estejam constantemente avaliando suas estratégias de negócios.

A Socios.com, uma empresa não propriamente do mercado de criptomoedas, que se descreve como uma plataforma de engajamento para fãs e tem parceria com diversos clubes brasileiros, apontou, através de comunicado, que “o momento que o setor está vivendo não é incomum entre aqueles que cresceram rapidamente”.

“O mercado está encontrando seu ponto de equilíbrio e isso faz parte do processo. Como a situação vai impactar as áreas de marketing e patrocínio de algumas empresas de cripto é algo que precisaremos esperar para ver”, completa parte da nota

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