Inverno no Rio registra dias de altas temperaturas e baixa umidade do ar; veja os cuidados com a saúde

O inverno 2022 está com ares de verão. Temperaturas sobem ao longo do dia, com máxima sempre próxima aos 30 graus, céu claro e sol. O veranico se estende até, pelo menos, quarta-feira da próxima semana. O fim de semana será de temperaturas altas e sem chance de chuva. Mas esses dias requerem uma atenção redobrada dada a baixa umidade, que também deve se prolongar. O tempo seco, efeito de áreas de alta pressão atmosférica, pode ser prejudicial à saúde e exige cuidados.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS ), o nível ideal de umidade do ar para o corpo varia entre 40% e 70%. Nesta sexta-feira, de acordo com dados do Climatempo, a cidade do Rio registrou índice entre 38% e 59%. Os efeitos no corpo podem ser adversos, principalmente relacionados a doenças respiratórias, salienta o médico alergista e coordenador do Brasil Sem Alergia, Marcello Bossois:

— É um momento muito complicado porque estamos vivendo um momento de pandemia. E quando a gente associa um tempo muito seco à umidade relativa é muito importante. Um paciente com tendência a ter asma ou rinite crônica, por exemplo, tende a piorar nesse período. Aqueles com doenças respiratórias e dermatite atópica pioram muito no período seco. No caso da dermatite, piora muito pela pele ser muito seca, e o tempo causa mais coceiras, mais irritações.

O inverno no Brasil tem como características aumento da amplitude térmica — diferença entre a temperatura máxima e mínima — no mesmo dia e baixa umidade do ar, além de redução das chuvas. Segundo o Alerta Rio, a última chuva na cidade do Rio foi no dia 30 de junho, o que soma oito dias sem registro. O país tem registrado nos últimos dias baixa umidade em diversos estados, isto até mesmo em cidades litorâneas, um cenário atípico. Nesta quinta-feira, a princesinha do mar, Copacabana, registrou 30%.

— Os índices baixos não são comuns sobretudo numa cidade litorânea, para o interior do estado é mais normal. Há uma área de alta pressão atmosférica que atua na região Norte do país até Santa Catarina, pegando várias partes do Brasil. Outra de alta pressão está na costa do Nordeste. Elas estão com tempo seco e firme. As frentes frias não estão avançando, desviando-se para o oceano. Elas permitem dias de tempos mais abertos, com céu claro e baixa umidade, o que deve continuar para os próximos dias — diz a meteorologista do Climatempo Carine Gama.

No interior do estado, justamente por conta da falta de chuvas, o abastecimento do município de Rio das Ostras e do distrito de Barra de São João, em Casimiro de Abreu, está reduzido, de acordo com informações da Cedae. A estiagem diminuiu o nível do Rio Macaé, de onde vem a água para tratamento e distribuição. A Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Dourado está operando com 80% de sua capacidade e a orientação é que os consumidores utilizem água de forma equilibrada neste período.

Admirar o céu azul e limpo tem seu preço. A ausência de nuvens causa o aumento da amplitude térmica. O calor não é retido, e as temperaturas caem a partir da noite até o início da manhã. Esse fenômeno tem relação com a baixa da umidade do ar, explica a meteorologista:

— A ausência de nebulosidade também tem relação com a baixa da umidade, que faz com que caia mais ao longo da tarde. Na quarta-feira (13) é quando a umidade deve subir um pouco, por conta da passagem de uma frente fria que vai ficar em alto-mar, sem se aproximar da costa. Não chove, mas o aumento da nebulosidade consegue chegar.

A previsão, segundo o Climatempo nesta sexta-feira, é de ausência de chuva até o dia 20. Nesse período, a umidade do ar vai variar, entre queda e melhora do índice. Para enfrentar os altos e baixos dos próximos dias, o médico alergista Marcello Bossois recomenda uma série de cuidados no dia a dia:

— É preciso acompanhar as informações das secretarias de saúde das cidades para ver como estão os índices. O umidificador em casa ajuda, mas requer atenção, sendo um aliado quando o índice está baixo, mas pode ser um vilão quando está alto, já que pode proliferar ácaros e mofos, o que pioraria o caso do paciente alérgico. Para esse grupo, também pode ser feita a retirada de tapetes e cortinas; o edredom de tecido ser substituído por um de lã sintética; forrar colchão e travesseiro para evitar o contato com ácaro e poeira. E a hidratação das narinas com soro fisiológico, irrigando, é sem contraindicação.

Outra aliada importante é a hidratação, com aumento do consumo de líquidos. Pacientes com problemas renais e cardíacos devem consultar o médico para saber qual a quantidade máxima pode ser ingerida. Crianças e idosos são faixas etárias que querem atenção especial por terem maior chance de desidratar.

— A criança tem uma superfície corporal menor e desidrata mais rápido, com sistema imunológico em formação. E o idoso tem dificuldade de reter os líquidos e imunossenescência, o envelhecimento da imunidade — destaca Marcello Bossois.

Em dias secos e de altas temperaturas, se for recorrer ao uso do ar-condicionado, o ideal é fazer a dobradinha com um umidificador. Para resfriar o ar do ambiente, o aparelho acaba tirando ainda mais a umidade.

E para um reforço na imunidade — de maneira geral e não só no tempo seco — a caderneta de vacinação em dia é fundamental. Além das doses contra a Covid-19 (que já chegou a quatro para determinados grupos) e contra a influenza (gripe), Bossois indica mais imunizantes:

— Pacientes em grupos vulneráveis precisam fazer o reforço depois de 30 dias para influenza, tomando a trivalente, oferecida nos postos de saúde pública, e depois a tetravalente, quando possível, em clínicas particulares. Se não, repete a primeira. A pneumocócica 13-valente e, seis meses depois, a pneumocócica 23-valente (ambas protegem, entre outras doenças, contra a pneumonia).

Veja como fica o tempo no fim de semana, segundo o Climatempo:

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