Investida contra TSE por inserções de rádio reagrupa base bolsonarista, mas não fura bolha nas redes

A narrativa da base de Jair Bolsonaro (PL) sobre um suposto boicote de rádios na veiculação da propaganda eleitoral do presidente — denúncia depois rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — ficou restrita, no Twitter, à bolha de apoiadores do candidato à reeleição. A conclusão é de um levantamento feito pela consultoria de análise de redes Arquimedes, a pedido do Sonar.

O tema levou a um recorde de citações ao TSE e termos relacionados ao caso na rede social. O pico, na quarta-feira, atingiu a marca de 1,36 milhão de postagens. Desde 16 de agosto, o maior volume havia sido registrado em 20 de outubro e somou pouco mais de 765 mil menções.

O agrupamento bolsonarista buscou dar tração à discussão e lançou mão da hashtag “#Radiolão” para a mobilização, além de mirar no ministro Alexandre de Moraes, presidente da Corte Eleitoral, que rejeitou a ação de Bolsonaro sob o argumento de que não foram apresentadas provas das irregularidades apontadas. Apesar do esforço, o tema não despertou interesse para além do agrupamento mais fiel ao presidente.

De acordo com os dados da Arquimedes, na terça-feira, a base do presidente representou 83% dos perfis que se manifestaram sobre o assunto, enquanto a oposição somou 17%. No dia seguinte, o placar se manteve: 81% a 19%.

Sócio da Arquimedes, Pedro Bruzzi avalia que, se havia o interesse em pautar o amplo debate, a estratégia não teve sucesso. Por outro lado, serviu para reorganizar os aliados do presidente e tirar o foco da prisão de Roberto Jefferson, que havia causado, no início da semana, um descompasso nas redes bolsonaristas.

— Seus apoiadores se mostraram confusos no domingo e na segunda-feira sobre esse assunto, sem saber se criticavam o petebista ou se o defendiam e criticavam a decisão de prendê-lo. A descoordenação nessa agenda foi substituída por uma agenda mais organizada e focalizada, mantendo o TSE como alvo — analisa Bruzzi.