Investidor é indiciado por estelionato por criar pirâmide financeira e lesar mais de 50 pessoas no Rio

A Polícia Civil do Rio indiciou pelo crime de estelionato um investidor após uma pirâmide financeira lesar pelo menos 50 pessoas nas zonas Sul e Oeste da capital e em Niterói, na Região Metropolitana do estado. De acordo com investigações da 13ª DP (Ipanema), Mateus da Silva dos Santos, de 25 anos, constituiu uma empresa de aplicação de criptomoedas e, por meio de vídeos publicados nas redes sociais, prometia aos clientes a inalcançável rentabilidade de até 30% ao mês.

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Segundo uma das vítimas, em agosto do ano passado, uma prima lhe apresentou a M&M Consultoria. No dia 13 daquele mês, após assinatura de um contrato, ele então realizou um aporte de R$ 40 mil, recebendo três parcelas de R$ 12 mil em setembro, outubro e novembro. Diante do que considerou êxito na operação, resolveu fazer um novo investimento de R$ 40 mil.

— A partir daí, nunca mais recebi nenhum valor a título de rendimentos por parte da empresa, tampouco a devolução do montante aplicado, como havia sido acordado. Na época, foram feitas algumas lives informando que os problemas de pagamento estavam relacionamentos a questões operacionais, pois o negócio teria sido criado com uma proposta menor e cresceu muito rapidamente. Desde então, não consegui mais contato com eles e fiquei com um prejuízo de R$ 44 mil — conta o bancário, de 39 anos.

— No meu caso, em junho do ano passado, eu e meu pai decidimos investir R$ 10 mil. Depois de recebermos certinho por três meses, vendemos um carro e colocamos mais R$ 60 mil. Como fiquei desempregada durante a pandemia, acreditei que isso poderia ser uma oportunidade para sobrevivermos. Mas desde outubro, não tivemos mais retorno e hoje, depois do prejuízo e das dívidas que precisei fazer com empréstimos, vejo que fui vítima de um golpe — lamenta uma secretária, de 36 anos.

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Em seu perfil no Instagram, Mateus se apresenta como “MS trader”, “mentor de investimentos” e “idealizador da mentoria Eu não sou +1”. Na página, com 28.500 seguidores, ele expõe fotos e vídeos com dicas de investimentos em criptomoedas, gráficos de cotações e operações em tempo real e ainda mensagens motivacionais. “Quando a obra fica pronta, ninguém lembra do processo”, postou ele dentro de uma casa em construção, na semana passada. Nas imagens, ele costuma aparecer com joias e roupas e acessórios de grifes internacionais.

— De maneira geral, os estelionatários exibem uma vida luxuosa nas redes sociais para atrair novas vítimas e passar uma falsa impressão de sucesso pessoal. Então, é importante que antes de investir neste tipo de negócio, todos busquem informações junto aos órgãos responsáveis pelas fiscalizações dessas empresas. Atentem-se sempre também para a data de constituição da pessoa jurídica e da confiabilidade que a mesma possui no mercado, fiquem alerta às promessas de lucros exorbitantes e retorno imediato e também desconfiem de contratos fornecidos por redes sociais — orienta o delegado Felipe Santoro, responsável pelo inquérito.

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No relatório final das investigações, ele destaca que Mateus vem praticando reiteradamente estelionato, “fazendo do crime seu meio de vida, auferindo vultosa vantagem econômica ilícita e causando lesão ao patrimônio de dezenas de vítimas”. Em seu Relatório de Vida Pregressa, além de estelionato, o rapaz tem anotações ainda por ameaça e, quando era adolescente, respondeu por roubo no interior de veículo, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

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Ao GLOBO, Mateus da Silva dos Santos negou que tenha cometido crimes e informou que todos os clientes que tiveram prejuízos estão sendo chamados para acordos parcelados:

— A empresa MM Consultoria e Mentoria LTDA, que está no meu nome, tinha uma carteira com três mil clientes. Hoje temos menos de 500 pessoas para quitar essas dívidas. Esse processo de reconciliação e de pagamento já dura um ano. Verdadeiramente, estamos em falta com alguns, mas estamos com atendimentos e canal no Telegram, lançando datas de pagamentos. Estelionato é quando obtemos vantagens sobre valores de terceiros, com contratos fraudulentos. Hoje não tenho um carro, pois passei para clientes para pagar as dívidas. E todos os dias estou nas redes rociais respondendo a todos na medida do possível e fazendo acordos. Parado não estamos e nunca ficamos, mas também sofremos muito por conta dessa paralisação. Primeiro, eu poupei a minha vida e a vida dos meus familiares, e agora respirando. O indiciamento vai existir por conta das denúncias, mas estamos prontos para responder e sanar essas dívidas a cada dia.