Investidores estrangeiros fogem da bolsa de valores do Brasil

Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Desde o início do ano, a bolsa de valores brasileira enfrenta uma debandada de investidores estrangeiros. Mais de R$ 19,2 bilhões já foram retirados da B3, maior fluxo negativo desde 1996.

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Os números foram levantados por uma reportagem publicada nesta terça-feira (20) pelo Valor Econômico. Segundo o jornal, a fuga dos investidores estrangeiros também acontece em outros países emergentes e está relacionada com o medo de uma recessão global.

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A guerra comercial entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo, tem deixado investidores do mundo inteiro mais ariscos. É o mesmo fenômeno que tem provocado a queda de juros nos países ricos nos últimos meses.

Com medo do que a guerra entre EUA e China possa fazer com os mercados globais, os investidores passam a preterir apostas de alto risco e privilegiar ativos mais seguros. Por isso o ouro voltou a se valorizar nas últimas semanas, assim como o dólar e o iene, frente ao real.

Outra consequência desse medo generalizado é a queda dos investimentos em países emergentes. Recentemente, com a derrota de Maurício Macri nas prévias eleitorais da Argentina, as bolsas desabaram com o temor de que as políticas liberais do atual presidente deem lugar ao kirchnerismo de Alberto Fernández.

O desastre econômico da Argentina, por sua vez, reverbera em toda a América Latina, incluindo no Brasil, onde nem mesmo o avanço da reforma da Previdência no Congresso tem sido suficiente para acalmar os investidores estrangeiros. O que sustenta o mercado brasileiro, por enquanto, é o próprio brasileiro.

“O investidor local foi o responsável por levar o Ibovespa acima dos 100 mil pontos, mas ele precisa de catalisadores positivos que continuem justificando uma aposta mais firme agora, sobretudo com o investidor estrangeiro puxando a balança para o outro lado, com menos demanda por risco", disse Filipe Villegas, analista da Genial Investimentos, ao Valor.

No acumulado de 2019 até o início de agosto, o fluxo local - ao contrário do estrangeiro - registra alta na bolsa: R$ 16,9 bilhões. Apesar disso, com a perspectiva negativa do exterior sobre a economia global, analistas não veem grandes chances de melhora do cenário no curto prazo.