Investidores do IRB entram na Justiça contra a PwC por prejuízos de R$ 95 milhões

Um grupo de 193 investidores do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), com ações na B3 desde 2017, ingressou na Justiça com um processo contra a PwC, que auditava os balanços da empresa antes da descoberta de fraudes contábeis, por perdas em seus investimentos.

Eles alegam que a PwC os induziu ao erro por dar confiabilidade às informações financeiras da companhia. A PwC vinha aprovando os dados da resseguradora sem ressalvas. O cálculo inicial dos prejuízos, segundo o Instituto Empresa, que auxilia os investidores, é de R$ 95 milhões.

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"O valor pedido, contudo, está em aberto porque demanda análise econométrica e depende da análise do prejuízo de cada uma das partes. Antes, contudo, se espera que o juízo se manifeste sobre o próprio dever de indenizar", diz o Instituto em nota, lembrando que já havia notificado a PwC sobre o caso em abril de 2022 e ingressou com o processo na semana passada.

A PwC é a mesma auditoria que fiscalizava os balanços da Americanas, que anunciou a descoberta de inconsistências contábeis bilionárias em seus balanços no dia 11 de janeiro e, no dia 19 passado, entrou com pedido de recuperação judicial.

“Falhas de auditorias ensejam indenizações a investidores. É exemplo o caso do Banco do Nordeste, onde a PwC foi condenada por falha de seus serviços, na ordem de R$ 25 milhões”, relembra o Instituto Empresa, que também deverá representar investidores que se sentiram prejudicados no caso da Americanas.

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O Instituto Empresa, uma associação de investidores que atua na defesa da Governança Corporativa, lembra que em novembro de 2019 a Squadra Investimentos, uma gestora de recursos do Rio de Janeiro, enviou ao IRB uma série de questionamentos sobre a sua contabilidade.

Em uma carta divulgada pela Squadra, no início de 2020, a gestora informou que havia "uma grande disparidade entre o preço e o valor nas ações da IRB Brasil e que encontrou indícios que apontam lucros normalizados (recorrentes) significativamente inferiores aos lucros contábeis reportados nas demonstrações financeiras da companhia.”

A carta fez a ação da companhia cair 15% em um dia. Num segundo comunicado, a gestora voltou a ressaltar a existência de “ganhos extraordinários” classificados como recorrentes.

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Inicialmente, o IRB negou erros nas demonstrações financeiras. Alegou, inclusive, que o bilionário investidor americano, Warren Buffett, havia triplicado a fatia que detinha da IRB Brasil. Mas, em nota, a empresa de Buffett desmentiu a informação e afirmou que não era acionista do IRB.

Em junho de 2020, foram descobertas fraudes contábeis e os balanços de 2019 e 2018 tiveram que ser republicados com uma redução de lucro de mais de R$ 600 milhões. Naquele período, as ações da empresa se desvalorizaram 97%, caindo de R$ 44 para R$ 1. Hoje, vale R$ 1,03.

Procurada, a PwC ainda não se posicionou sobre o caso.