Investigação sobre ataque químico na Síria confronta EUA e Rússia

Homem sírio reza em julho em um cemitério em Khan Sheikhun, 100 dias após um suposto ataque de gás tóxico ter matado 88 pessoas, entre elas 31 crianças

A renovação do mandato dos especialistas que investigam o uso de armas químicas na Síria, que expira em novembro, confrontou nesta quarta-feira (18), na ONU, os Estados Unidos e a Rússia.

O painel de especialistas - formado pelas Nações Unidas e pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) - tem previsto apresentar em 26 de outubro seu relatório sobre o ataque com gás sarin em Jan Sheijun no começo de abril, que deixou quase 90 mortos.

A Rússia, aliada-chave do presidente sírio, Bashar al Assad, manifestou a intenção de analisar primeiro o informe antes de decidir se apoia estender por mais um ano o mandato do Mecanismo Conjunto de Investigação da ONU e da OPAQ, conhecido como JIM.

A embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, disse que enviará nesta quarta-feira um projeto de resolução para que o Conselho de Segurança vote a renovação "o quanto antes".

"Os russos deixaram claro que se o informe acusar os sírios, não confiarão no JIM. Se o informe não acusar os sírios, então o farão (...) Não se pode trabalhar assim", lamentou a diplomata em declarações à imprensa.

A Rússia pode optar por usar seu direito de veto para bloquear o projeto de resolução e por fim à investigação.

"Seria uma pena se a Rússia decidisse ter uma investigação em função de quem é o culpado", acrescentou Haley.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou que o JIM é "uma ferramenta muito importante".

Estados Unidos, França e Reino Unido acusam as forças de Assad de realizar o ataque com gás sarin em 4 de abril em Jan Sheijun, cidade rebelde da província de Idlib, no qual morreram ao menos 87 pessoas, incluindo 30 crianças.