Investigação do Congresso tem provas contundentes contra Trump

Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes realiza audiência em Washington, DC, 21 de novembro de 2019

As evidências para realizar um julgamento político por conduta imprópria contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são "esmagadoras", diz o relatório final da investigação da Câmara dos Deputados, conhecido nesta terça-feira.

"As provas da má conduta do presidente são esmagadoras, assim como as evidências de sua obstrução ao Congresso", diz o relatório, destinado a apoiar acusações formais contra Trump.

"A investigação constata que o presidente Trump, pessoalmente e atuando por meio de agentes dentro e fora do governo dos EUA, solicitou a ingerência em um governo estrangeiro, o da Ucrânia, para favorecer sua reeleição".

O Comitê concluiu em seu relatório que Trump "colocou seus interesses pessoais e políticos acima dos interesses nacionais, tentando solapar a integridade do processo eleitoral americano e colocando em risco a segurança nacional".

"Os pais fundadores criaram um remédio para quando um chefe do executivo coloca seus interesses pessoais acima dos do país: o impeachment", destacaram os autores deste documento de 300 páginas.

A Casa Branca reagiu em seguida, afirmando que não foi encontrada "nenhuma prova" contra Trump.

"Esse relatório não mostra nada mais do que as frustrações" dos democratas, "lê-se como as divagações de um blogueiro de pouca relevância que tenta demonstrar algo embora esteja claro que não tem", disse a porta-voz do governo Stephanie Grisham.

O presidente americano é investigado por ter pedido ao seu par ucraniano, Volodimir Zelenski, que investigasse o democrata Joe Biden, um de seus possíveis rivais nas eleições presidenciais de 2020.

Durante dois meses, o Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes realizou uma investigação para determinar se houve abuso de poder por parte de Trump para pressionar Kiev, congelando uma ajuda militar de aproximadamente 400 milhões de dólares destinada ao país.

Segundo o relatório, existem "provas esmagadoras" sobre duas questões: "o presidente condicionou um convite à Casa Branca e uma ajuda militar à Ucrânia ao anúncio de investigações favoráveis para sua campanha" e "obstruiu" as pesquisas.

"É muito perigoso para um país ter um presidente sem ética, que acredita estar acima das leis", disse o congressista democrata Adam Schiff, que preside o Comitê de Inteligência da Câmara. "A pergunta agora é saber o que vai fazer o Congresso".

O Comitê de Inteligência aprovou na noite desta terça-feira o relatório sobre Trump, com os votos de seus 13 membros democratas, contra os nove integrantes republicanos.

O documento será transmitido agora ao Comitê Judicial da Câmara, que iniciará nesta quarta-feira o debate jurídico para determinar se os fatos atribuídos ao presidente justificam o prosseguimento do processo de impeachment.

Quatro juristas detalharão, durante uma audiência pública, os motivos para o impeachment previstos na Constituição dos Estados Unidos: atos "de traição, corrupção ou crimes graves".

A opinião pública americana está muito dividida sobre o impeachment: 49% da população apoia o processo, contra 44% que o rejeita, segundo média das pesquisas elaborada pelo RealClearPolitics.

Na Câmara, controlada pelos democratas, o impeachment será aprovado certamente, mas dificilmente passará pelo Senado, controlado pelos republicanos.