Investigado em esquema de corrupção no TJ-BA, borracheiro desaparecido se entrega à PF

Aguirre Talento

BRASÍLIA - O borracheiro-latifundiário alvo da investigação sobre corrupção no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e que estava desaparecido se entregou à Polícia Federal na noite desta terça-feira. José Valter Dias é suspeito de ser uma das peças centrais no esquema de grilagem de terras por meio da compra de decisões judiciais, investigada pela Operação Faroeste.

José Valter teve sua prisão temporária decretada na sexta-feira pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não foi encontrado pela PF. Sua condição era de foragido. Na noite de terça, ele se apresentou à Superintendência da PF no Piauí e prestou depoimento. Depois disso, foi solto por determinação do STJ --a prisão temporária havia sido decretada porque ele estava desaparecido, mas, diante desse cenário, a Justiça entendeu que não havia mais motivos.

"Revela-se inusitado o desaparecimento de José Valter Dias da região, sendo ele um dos maiores proprietários de terra do oeste baiano, podendo-se deduzir de seu repentino afastamento um claro sinal de que pode estar se furtando à aplicação da lei penal", havia apontado a PGR no pedido de prisão temporária.

José Valter Dias é citado como um dos maiores latifundiários do Brasil, por ter se tornado dono de uma fazenda de 360 mil hectares no oeste da Bahia, adquirida sob circunstâncias consideradas suspeitas pela PGR.

Na semana passada, além de autorizar buscas e apreensões contra desembargadores e juízes do TJ-BA, o ministro Og Fernandes também determinou o afastamento de quatro desembargadores das suas funções, incluindo o então presidente do tribunal Gesivaldo Nascimento Britto. Em nota divulgada na ocasião, a assessoria do TJ-BA se disse "surpreendida" pela operação da PF e afirmou que prestaria todos os esclarecimentos necessários. As defesas de José Valter Dias e do juiz Sérgio Humberto ainda não foram localizadas para comentar.