Investigado, ex-secretário de Bolsonaro emplaca sucessora no cargo

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BRASÍLIA - O ex-secretário nacional de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional Tiago Pontes Queiroz emplacou a indicação de uma sucessora no cargo. Queiroz pediu demissão no início de outubro, mas foi substituído nesta quarta-feira por Sandra Maria Santos Holanda, nomeada secretária em seu lugar.

De acordo com a pasta, ele saiu para se dedicar à sua defesa em uma investigação da qual é alvo, que apura possíveis irregularidades no Ministério da Saúde. Queiroz foi um dos alvos da operação Pés de Barro, deflagrada no mês passado pela Polícia Federal (PF). A operação também mirou as empresas Precisa Medicamentos e Global Saúde, do empresário Francisco Maximiano, que são investigadas na CPI da Covid.

Queiroz estava no cargo desde maio de 2020 por indicação do Republicanos, partido aliado do governo Bolsonaro. O ministério ressaltou, em nota, "que os fatos sob investigação são todos anteriores" ao período em que Queiroz atuou na pasta.

Sandra Holanda foi nomeada Diretora do Departamento de Planejamento Integrado e Ações Estratégicas da Secretaria de Mobilidade em 20 de julho de 2020. Desde então, ela ocupava o cargo de secretária de forma interina quando Tiago Queiroz se ausentava, assinando contratos e autorizações por ele.

Holanda é funcionária concursada da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), hoje emprestada ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Sua indicação passou pelos deputados Hugo Motta (Republicanos-PB) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO. O próprio Tiago Queiroz pediu que ela o substituísse.

A sua nomeação para a Secretaria de Mobilidade foi assinada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e publicada no Diário Oficial da União (DOU) da última quarta-feira, 3.

Os fatos investigados que levaram ao afastamento de Queiroz ocorreram entre os anos de 2016 e 2018 e envolveram a aquisição de medicamentos de alto custo. Queiroz foi coordenador de Compra por Determinação Judicial e diretor do de Logística do Ministério da Saúde neste período.

A nomeação de Queiroz na Saúde ocorreu por indicação do então ministro Ricardo Barros, que hoje é líder do governo Bolsonaro na Câmara. Já sua nomeação no Ministério do Desenvolvimento Regional é atribuída ao partido Republicanos. Em maio, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar as circunstâncias da nomeação.

Queiroz também foi responsável por um contrato investigado pela Controladoria-Geral da União. Um relatório da CGU apontou indícios de sobrepreço, calculado em R$ 130 milhões, na compra de tratores pelo Ministério do Desenvolvimento Regional autorizada por ele. A licitação envolvia 6.240 máquinas, ao preço de R$ 2,89 bilhões.

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