Investigado pela Justiça, Carlos Bolsonaro ofende jornalista da Globo

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O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) - Foto: Reprodução
O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) - Foto: Reprodução
  • Carlos Bolsonaro se incomodou com a crítica do jornalista Gerson Camarotti, da Globo

  • Para tentar defender o pai, o filho do presidente insinuou que o jornalista é gay

  • O vereador foi apontado pela Justiça como chefe de uma organização criminosa

Apontado pela Justiça como chefe de quadrilha, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) ofendeu o jornalista Gerson Camarotti, da Globo, que corretamente criticou o desprezo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de sua equipe de governo pelos protocolos de segurança contra o coronavírus.

"O grande problema da contaminação por covid no governo é que ninguém se cuida. Ninguém usa máscara. Ninguém respeita distanciamento. Todos se aglomeram. Todos se tocam. Todos querem agradar o chefe com negacionismo. Um horror. O governo é foco de contaminação em Brasília. Um perigo!", escreveu Camarotti no Twitter.

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O vereador compartilhou o tweet chamando a crítica de "ilação grotesca e notoriamente militante". O filho do presidente ainda cometeu uma ilação ao dizer sem provas que o jornalista da Globo mantém relação homossexual com colegas e apelou para o fetiche anal, costume da família Bolsonaro.

"Pela ilação grotesca e notoriamente militante e com dois pesos e duas medidas, o blogueiro da Globo está achando que sexo anal entre colegas não transmite doenças?", respondeu o vereador, incomodado com a crítica certeira de Camarotti contra o comportamento negacionista de Bolsonaro.

Carlos Bolsonaro teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pelo juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Na decisão, o magistrado diz que foram verificados “indícios rotundos de atividade criminosa em regime organizado” e que o vereador é "citado diretamente como o chefe da organização".

A informação foi revelada pela colunista Juliana Dal Piva, do portal UOL. Carlos Bolsonaro é investigado pela prática de rachadinha e também por nomeação de funcionários fantasmas no gabinete da Câmara dos Vereadores do Rio.

Em 5 de maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu a quebra de sigilo do vereador. Em 24 de maio, o pedido foi acatado pelo juiz. Ana Cristina Valle e outros 25 investigados também tiveram os sigilos quebrados.

O Ministério Público, que pediu a quebra de sigilo, disse que pelos elementos colhidos na investigação "já é possível vislumbrar indícios da existência de uma organização criminosa caracterizada pela permanência e estabilidade, formada desde o ano de 2001 por diversos assessores nomeados pelo parlamentar (Carlos Bolsonaro) para cargos na Câmara Municipal."

No ano passado, o MP do Rio de Janeiro denunciou Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) como líder de uma organização criminosa, que também praticava rachadinha no gabinete da Assembleia Legislativa do RJ. Agora senador, ele nega as acusações. Atualmente, a análise da denúncia está suspensa, enquanto espera uma decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre o foro em que Flavio Bolsonaro deve ser julgado.

O que diz a decisão

Na decisão, revelada pelo UOL, o juiz Marcello Rubioli afirma que "os elementos de informação coligidos aos autos - mais notadamente quando se atenta ao vasto acervo de documentos que acompanham o expediente investigatório - apontam para a existência de fortes indícios da prática de crime de lavagem de capitais".

O magistrado também afirmou que, ao ler os autos do processo, "apura-se, facilmente" que há indícios de atividade criminosa. Ele registra que Carlos Bolsonaro "é citado diretamente como o chefe da organização, até porque o mesmo efetua as nomeações dos cargos e funções comissionadas do gabinete".

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